{"id":2346,"date":"2016-09-02T20:58:01","date_gmt":"2016-09-02T20:58:01","guid":{"rendered":"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=2346"},"modified":"2016-09-02T20:58:01","modified_gmt":"2016-09-02T20:58:01","slug":"a-sabedoria-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=2346","title":{"rendered":"A \u00abSABEDORIA DO CORA\u00c7\u00c3O\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2347\" src=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb-300x300.jpg\" alt=\"46c- A \u00absabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u00bb\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb-300x300.jpg 300w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb-150x150.jpg 150w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb-624x624.jpg 624w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb-398x398.jpg 398w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/46c-A-\u00absabedoria-do-cora\u00e7\u00e3o\u00bb.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>(Ciclo C \u2013 Domingo 23 do Tempo Comum)<\/em><strong><em> \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A \u00abSABEDORIA DO CORA\u00c7\u00c3O\u00bb <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong>\u00a0N\u00e3o deixam de ser misteriosas as palavras desta s\u00faplica, dirigida ao Senhor Deus (no<em> Salmo 89 \/ Responsorial <\/em>de hoje): <em>\u00abEnsina-nos a contar os nossos dias, para chegarmos \u00e0 sabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/em> Toda a gente tem alguma ideia acerca dos v\u00e1rios significados do termo \u201csabedoria\u201d, com ace\u00e7\u00f5es nos diversos campos da \u201ccultura humana\u201d\u2026 Se bem que n\u00e3o devemos esquecer o primeiro sentido, o etimol\u00f3gico \u2013 de raiz \u2013 (que deriva de \u201csapientia\u201d &#8211; \u201csapere\u201d = <em>saborear<\/em>). Mas aqui vai mais longe, \u00e9 a \u00absabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u00bb!<\/p>\n<p>Lembro-me muito bem (por t\u00ea-lo utilizado nas aulas) daquele \u201cconto\u201d de tradi\u00e7\u00e3o judeo-crist\u00e3\u2026 cuja \u201cmoral\u201d \u00e9 mesmo <em>radical<\/em>.<\/p>\n<p>\u00abUm velho rabino lan\u00e7ou, uma vez, esta pergunta aos seus disc\u00edpulos:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cEst\u00e1 a amanhecer. Mas como \u00e9 que se pode reconhecer e saber o momento em que a noite termina e come\u00e7a o dia?\u201d. Eles, depois de pensar uns instantes, respondem:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 quando\u2026 se pode distinguir claramente, ao longe, um c\u00e3o de uma ovelha.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o! \u2013 diz o rabino. Ent\u00e3o eles pensam mais, e dizem:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 quando j\u00e1 se pode distinguir uma macieira de uma laranjeira.<\/p>\n<p>&#8211; Tamb\u00e9m n\u00e3o! \u2013 diz de novo o rabino.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, diz-nos, quando \u00e9? \u2013 perguntaram todos em coro.<\/p>\n<p>E foi neste momento que \u2013 fitando neles o seu olhar am\u00e1vel e s\u00e9rio ao mesmo tempo \u2013 o mestre rabino disse:<\/p>\n<p>&#8211; Vede bem! \u00c9 DIA QUANDO, AO OLHARES PARA O ROSTO DE QUALQUER UM, TU RECONHECES NELE O TEU IRM\u00c3O OU A TUA IRM\u00c3!&#8230; AT\u00c9 L\u00c1, \u00c9 AINDA NOITE NO TEU CORA\u00c7\u00c3O!\u00bb.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa tentar julgar os acontecimentos e as realidades com crit\u00e9rios puramente naturais (\u201csabedoria do intelecto\u201d?) \u2013 como acontecia nas respostas daqueles \u201calunos\u201d \u2013 ou tentar avaliar com outros crit\u00e9rios, espirituais (\u201csabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u201d?) como faz \u201co mestre rabino\u201d.<\/p>\n<p>E na Eucaristia de hoje, logo no in\u00edcio da <em>Palavra<\/em>, encontramos a confirma\u00e7\u00e3o disto, com as palavras autorizadas, inspiradas, do <em>Livro da Sabedoria<\/em>: <em>\u201cQual o homem que pode conhecer os des\u00edgnios de Deus? Quem pode sondar as inten\u00e7\u00f5es do Senhor? Os pensamentos dos mortais s\u00e3o mesquinhos e inseguras as nossas reflex\u00f5es, porque o corpo corrupt\u00edvel deprime a alma, e a morada terrestre oprime o esp\u00edrito que pensa\u201d. <\/em>E continua, reconhecendo a limita\u00e7\u00e3o humana a n\u00edvel de crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o: <em>\u201cMal podemos compreender o que est\u00e1 sobre a terra e com dificuldade encontramos o que temos ao alcance da m\u00e3o. Quem poder\u00e1 ent\u00e3o descobrir o que h\u00e1 nos c\u00e9us?&#8230;\u201d. (Sb 9 \/ 1\u00aa L.).<\/em> Onde encontraremos, ent\u00e3o, a chave desta \u00ab<em>Sabedoria do cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb?<\/p>\n<p>Algumas pistas e orienta\u00e7\u00f5es, para estas \u00faltimas quest\u00f5es, s\u00e3o-nos oferecidas, tamb\u00e9m na <em>Palavra<\/em>, mas agora j\u00e1 em textos do Novo Testamento. E observamos que esta \u00abSabedoria\u00bb exige ren\u00fancias. Paulo, desde a pris\u00e3o, pede ao seu amigo Fil\u00e9mon que seja capaz de <em>\u201cperdoar e aceitar o seu antigo escravo, On\u00e9simo, como irm\u00e3o\u201d<\/em> <em>ou filho<\/em>, em Cristo Jesus. <em>(Carta a Flm \/ 2\u00aa L.).<\/em> E ao mesmo tempo ele, Paulo, renuncia a conserv\u00e1-lo como ajuda e companhia enquanto est\u00e1 prisioneiro\u2026 Ou seja, que n\u00e3o se trata, precisamente, de uma Sabedoria do g\u00e9nero \u201ccor-de-rosa\u201d, o que poderia vir sugerido pelo facto de ser \u201cdo cora\u00e7\u00e3o\u201d. Nem tem nada a ver, portanto, com a <em>\u00abliteratura do cora\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>. Longe disso!<\/p>\n<p>Mas \u00e9 Jesus de Nazar\u00e9, como sempre, quem nos brinda a melhor Luz de orienta\u00e7\u00e3o, ao apresentar-nos a maior exig\u00eancia. E n\u00e3o esque\u00e7amos que a Sua Palavra \u00e9 a Verdade mesma. Primeiro, marca <em>o alvo<\/em>, <em>o ponto de mira<\/em>, ao mostrar-nos as \u201cren\u00fancias\u201d que \u00e9 necess\u00e1rio fazer: <em>\u201cJesus, voltando-Se para a grande multid\u00e3o que O seguia, disse-lhes: \u00abSe algu\u00e9m vem ter comigo, e n\u00e3o Me preferir ao pai, \u00e0 m\u00e3e, \u00e0 esposa, aos filhos, aos irm\u00e3os, \u00e0s irm\u00e3s e at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u00bb\u201d<\/em>. E parece como que isto, e tudo o mais, fica resumido nesta advert\u00eancia radical, que sintetiza o anterior: <em>\u201c\u00abQuem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u00bb\u201d. <\/em>Por\u00e9m \u2013 ap\u00f3s contar duas pequenas par\u00e1bolas ilustrativas \u2013 ainda Ele vai concluir com outra insist\u00eancia: <em>\u201c\u00abAssim, quem de entre v\u00f3s n\u00e3o renunciar a todos os seus bens, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u00bb\u201d. (Lc 14 \/ 3\u00aa L.).<\/em><\/p>\n<p>Verdadeiramente, s\u00e3o estes os caminhos que deve percorrer a <em>\u00abSabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>, no meio de tantas outras \u201csabedorias\u201d que s\u00e3o\u2026 \u201coutra hist\u00f3ria\u201d! E fica, ent\u00e3o, bem patente que as coisas fundamentais, e definitivas, embora sendo sempre \u201cum dom divino\u201d, n\u00e3o aparecem \u00abpor gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea\u00bb, mas \u00e9 preciso \u201cprovoc\u00e1-las e cultiv\u00e1-las\u201d, e requerem esfor\u00e7o nas lutas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor, \u00e9 preciso reconhec\u00ea-lo e agradec\u00ea-lo:<\/p>\n<p><em>Tu \u00e9s sempre o nosso ref\u00fagio e a nossa salva\u00e7\u00e3o, <\/em><\/p>\n<p><em>como o foste atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es passadas\u2026<\/em><\/p>\n<p>E se compararmos as realidades naturais e caducas<\/p>\n<p>com aquilo que, de verdade, nasce da \u201csabedoria divina\u201d,<\/p>\n<p>verificamos a inutilidade de apostarmos no que \u00e9 ef\u00e9mero:<\/p>\n<p><em>como a erva que de manh\u00e3 reverdece e floresce <\/em><\/p>\n<p><em>mas que \u00e0 tarde acaba por murchar e secar; <\/em><\/p>\n<p><em>ou como um sonho que se desvanece<\/em><\/p>\n<p><em>no espa\u00e7o de uma breve vig\u00edlia da noite; <\/em><\/p>\n<p><em>ou como o p\u00f3 da terra ao qual todos voltamos;<\/em><\/p>\n<p>ou \u00e0 maneira de um tempo que nos parece imenso<\/p>\n<p><em>mas que afinal tem a dura\u00e7\u00e3o de um dia j\u00e1 passado<\/em>\u2026<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Tu, Senhor Deus e Pai nosso,<\/p>\n<p><em>\u00abensina-nos a contar atentamente os nossos dias <\/em><\/p>\n<p><em>para chegarmos \u00e0 verdadeira \u201cSabedoria do Cora\u00e7\u00e3o\u201d\u00bb. <\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, <em>ao sentirmo-nos satisfeitos desde a manh\u00e3 <\/em><\/p>\n<p><em>com a Tua bondade que nos sacia e fortalece, <\/em><\/p>\n<p><em>estaremos alegres e exultantes todo o dia, e sempre,<\/em><\/p>\n<p>apesar dos <em>acidentes do percurso<\/em> na via que transitamos.<\/p>\n<p><em>Venha sobre n\u00f3s a tua Gra\u00e7a, \u00f3 Deus!<\/em><\/p>\n<p><em>Confirma, Senhor, a obra das nossas m\u00e3os!<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><em>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [ do Salmo Responsorial \/ 89 (90) ]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Ciclo C \u2013 Domingo 23 do Tempo Comum) \u00a0 \u00a0A \u00abSABEDORIA DO CORA\u00c7\u00c3O\u00bb \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0N\u00e3o deixam de ser misteriosas as palavras desta s\u00faplica, dirigida ao Senhor Deus (no Salmo 89 \/ Responsorial de hoje): \u00abEnsina-nos a contar os nossos dias, para chegarmos \u00e0 sabedoria do cora\u00e7\u00e3o\u00bb. 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