{"id":4001,"date":"2019-07-19T22:37:08","date_gmt":"2019-07-19T22:37:08","guid":{"rendered":"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=4001"},"modified":"2022-11-22T19:14:28","modified_gmt":"2022-11-22T19:14:28","slug":"sem-o-saberem-hospedaram-anjos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=4001","title":{"rendered":"\u00ab\u2026 SEM O SABEREM, HOSPEDARAM ANJOS\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4002\" src=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb.jpg 400w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb-150x150.jpg 150w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb-300x300.jpg 300w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb-50x50.jpg 50w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/39c-\u00ab...-hospedaram-anjos\u00bb-398x398.jpg 398w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>(Ciclo C \u2013 Domingo 16 do Tempo Comum)\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00ab\u2026 SEM O SABEREM, HOSPEDARAM ANJOS\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>O combate, no nosso interior, entre as for\u00e7as do \u201cego\u00edsmo\u201d e as for\u00e7as do \u201caltru\u00edsmo\u201d \u2013 fechar-se em si mesmo, ou abrir-se em favor dos outros \u2013 \u00e9 uma luta que n\u00e3o podemos ignorar, sob pena de sermos vencidos pelo lado que nos destr\u00f3i. Devemos, ali\u00e1s, reconhecer que, pelo \u00abinstinto de conserva\u00e7\u00e3o\u00bb, tentamos fazer-nos fortes no nosso <em>castelo egoc\u00eantrico<\/em>, onde o \u201cculto do eu\u201d parece que tudo quer dominar\u2026 E, contudo, dever\u00edamos ser conscientes de que isso ser\u00e1 certamente o princ\u00edpio da nossa ru\u00edna e desola\u00e7\u00e3o\u2026 A n\u00e3o ser que encontremos o motivo e a for\u00e7a interior que nos lance no sentido inverso, em dire\u00e7\u00e3o aos outros, de onde vem a nossa salva\u00e7\u00e3o, individual e coletiva; ou pessoal e social, porque nunca devemos esquecer que a nossa\u00a0<em>dire\u00e7\u00e3o e sentido como humanos<\/em>\u00a0(que \u00e9 como dizer a nossa \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d) \u00e9 essencialmente \u201csocial\u201d\u2026 e, em cada um de n\u00f3s, nada ter\u00e1 sentido sem os outros!<\/p>\n<p>Ou seja, para contar com os outros e para nos entregar aos demais, temos de saber, conhecer, compreender que somos\u00a0<em>irm\u00e3os entre irm\u00e3os<\/em>, todos\u00a0<em>filhos do mesmo Pai Deus<\/em>, e esta realidade ningu\u00e9m a pode alterar ou mudar. Portanto, se este sentido e convic\u00e7\u00e3o de \u201cfraternidade\u201d (<em>\u00abfrater\u00bb = irm\u00e3o<\/em>) existe e predomina em n\u00f3s\u2026 ent\u00e3o, a abertura e partilha com os outros ser\u00e1 um facto.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante constatar que este esp\u00edrito de \u201cabertura e partilha\u201d era normal, habitual, entre os nossos mais antigos \u201cpais na f\u00e9\u201d. O primeiro de todos, Abra\u00e3o (e tamb\u00e9m, por ex., Lot, Tobias\u2026). Lemos no livro do G\u00e9nesis:\u00a0<em>\u201cAbra\u00e3o estava sentado \u00e0 entrada da sua tenda, no maior calor do dia. Ergueu os olhos e viu tr\u00eas homens de p\u00e9 diante dele. Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro\u2026 e disse: \u00abMeu Senhor, se agradei aos vossos olhos, n\u00e3o passeis adiante sem parar em casa do vosso servo. Mandarei vir \u00e1gua, para que possais lavar os p\u00e9s e descansar debaixo desta \u00e1rvore\u2026\u201d (Gn 18 \/ 1\u00aa L.).<\/em>\u00a0Sem d\u00favida, deve ter sido deste jeito como nasceu esse admir\u00e1vel \u201cesp\u00edrito de hospitalidade\u201d\u2026 t\u00e3o comum e caracter\u00edstico daquelas gentes durante muito tempo. Mas que pena que \u2013 ao que parece! \u2013 n\u00e3o se conservou este esp\u00edrito (nem sequer transformado e adaptado) na maior parte das nossas \u201csociedades evolu\u00eddas\u201d (ocidentais?). Antes pelo contr\u00e1rio, como se est\u00e1 a constatar neste triste fen\u00f3meno dos \u00abRefugiados\u00bb, e precisamente no chamado \u201cmundo ocidental\u201d, que se orgulha do seu \u201cprogresso\u201d!&#8230; Como diria algu\u00e9m:\u00a0<em>\u2018se o nosso \u00abprogresso\u00bb \u00e9 para isto, ent\u00e3o \u00abregressemos\u00bb ao nosso melhor, e mudemos de dire\u00e7\u00e3o e sentido!\u2019<\/em>\u2026<\/p>\n<p>Desde Abra\u00e3o, tinham passado j\u00e1 muitos s\u00e9culos e gera\u00e7\u00f5es, mas ainda no tempo de Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o se tinha perdido (!) este sentido de \u201chospitalidade\u201d, como se constata em muitas passagens do Evangelho e de todo o NT.\u00a0<em>\u201cNaquele tempo, Jesus entrou em certa povoa\u00e7\u00e3o, e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irm\u00e3 chamada Maria, que, sentada aos p\u00e9s de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito servi\u00e7o\u2026\u201d (Lc 10 \/ 3\u00aa L.).<\/em><\/p>\n<p>E n\u00e3o podemos ignorar que esta \u201chospitalidade\u201d (acolhimento e partilha) leva, como inerente, a sua \u201crecompensa\u201d ou gratifica\u00e7\u00e3o. No caso de Abra\u00e3o, com esta promessa:\u00a0<em>\u201cUm deles disse: \u00abPassarei novamente pela tua casa daqui a um ano, e ent\u00e3o Sara, tua esposa, ter\u00e1 um filho\u00bb\u201d. (Gn 18 \/ 1\u00aa L.).<\/em>\u00a0E no caso de Marta e Maria: a recompensa da \u201cprofunda amizade surgida entre Jesus e elas\u201d (que at\u00e9 chegaria a devolver a vida ao seu irm\u00e3o L\u00e1zaro defunto). Mas vale a pena ficarmos com a parte final deste Evangelho de hoje:\u00a0<em>\u201c\u00abMarta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria. Maria escolheu a melhor parte, que n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\u00bb\u201d. (Lc 10 \/ 3\u00aa L.).<\/em><\/p>\n<p>Realmente \u2013 e conclu\u00edmos por onde iniciamos \u2013 quando praticamos a hospitalidade, nas suas diversas formas\u2026 acontece que podemos <em>\u00abacolher, hospedar, sem o sabermos, os pr\u00f3prios \u2018anjos\u2019\u00bb<\/em>, em express\u00e3o da Carta aos Hebreus (Hb 13, 2). Claro que n\u00f3s podemos ir mais longe ao afirmar, com toda a verdade, que \u00abhospedamos, acolhemos o pr\u00f3prio Deus\u00bb. Sim, \u00e9 isso mesmo que aconteceu, quer no caso de Abra\u00e3o (onde aqueles \u00abtr\u00eas homens\u00bb afinal resultaram ser o pr\u00f3prio Deus-Trindade) quer no caso de Marta e Maria (onde aquele galileu de Nazar\u00e9, que elas hospedaram na sua casa, era, de facto, o Filho de Deus). E c\u00e1 est\u00e1 \u2013 agora j\u00e1 com o Evangelho na m\u00e3o \u2013 esta\u00a0<em>admir\u00e1vel li\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para todos n\u00f3s: Sempre que recebemos e acolhemos qualquer semelhante (irm\u00e3o) \u00e9 a Deus que acolhemos. \u00abPorque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era \u201cperegrino e recolhestes-me\u201d\u2026\u00bb (Mt 25,35). \u00c9 que, verdadeiramente, para S. Paulo, tal como deve s\u00ea-lo para n\u00f3s,\u00a0<em>\u201co mist\u00e9rio \u00e9 este: Cristo em n\u00f3s, esperan\u00e7a da Gl\u00f3ria\u201d (Cl 1 \/ 2\u00aa L.).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor, Senhor, que\u00a0<em>sociedade humana<\/em>\u00a0temos n\u00f3s!<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que em muitos aspetos ela melhorou,<\/p>\n<p>gra\u00e7as ao impulso positivo de progresso<\/p>\n<p>que Tu imprimiste, gravaste, no g\u00e9nero humano,<\/p>\n<p>e por isso Te louvamos e sempre Te glorificaremos\u2026<\/p>\n<p>Mas, porque \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o fomos capazes, Senhor,<\/p>\n<p>de conservar aquele\u00a0<em>esp\u00edrito de fraternidade<\/em>,<\/p>\n<p>aquela admir\u00e1vel atitude, \u201cdos nossos pais\u201d,<\/p>\n<p>de acolhermos e servirmos os nossos semelhantes,<\/p>\n<p>aquela maravilhosa \u201chospitalidade\u201d que eles praticavam<\/p>\n<p>\u2013 Abra\u00e3o, Lot, Tobite e tantos outros \u2013<\/p>\n<p>t\u00e3o comum e normal naqueles tempos?&#8230;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00f3s queremos hoje, como eles, \u00f3 Pai,<\/p>\n<p>recuperarmos a \u201cverdadeira hospitalidade\u201d,<\/p>\n<p>pois n\u00f3s j\u00e1 temos a chave que nos deu o Teu Filho:<\/p>\n<p>\u00abO que fazeis aos outros \u00e9 a Mim que o fazeis\u00bb.<\/p>\n<p>Porque se n\u00f3s n\u00e3o \u201crecebemos\u201d os outros,<\/p>\n<p>como \u00e9 que ousamos pedir-Te que Tu nos \u201crecebas\u201d<\/p>\n<p><em>para habitarmos para sempre na Tua Casa,<\/em><\/p>\n<p><em>no Santu\u00e1rio da Tua Montanha santa<\/em>?<\/p>\n<p>Abre os nossos \u201ccora\u00e7\u00f5es fechados\u201d, Senhor,<\/p>\n<p>para que estejam sempre dispostos a acolher-Te,<\/p>\n<p>porque s\u00f3 assim estar\u00e3o aptos e prontos<\/p>\n<p>para acolherem e abra\u00e7arem todos os nossos irm\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>Que se possa dizer, com verdade, de todos n\u00f3s<\/p>\n<p>\u2013 como diziam de Jesus, nosso Irm\u00e3o mais velho \u2013<\/p>\n<p>que \u201cn\u00e3o fazemos ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d porque,<\/p>\n<p>no nosso cora\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 sempre lugar para todos!<\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [ do Salmo Responsorial \/ 14 (15) ]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Ciclo C \u2013 Domingo 16 do Tempo Comum)\u00a0\u00a0 \u00ab\u2026 SEM O SABEREM, HOSPEDARAM ANJOS\u00bb O combate, no nosso interior, entre as for\u00e7as do \u201cego\u00edsmo\u201d e as for\u00e7as do \u201caltru\u00edsmo\u201d \u2013 fechar-se em si mesmo, ou abrir-se em favor dos outros \u2013 \u00e9 uma luta que n\u00e3o podemos ignorar, sob pena de sermos vencidos pelo lado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-4001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-refletida","has-post-title","has-post-date","has-post-category","has-post-tag","has-post-comment","has-post-author",""],"builder_content":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4001"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4003,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4001\/revisions\/4003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}