{"id":4132,"date":"2019-10-11T18:49:17","date_gmt":"2019-10-11T18:49:17","guid":{"rendered":"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=4132"},"modified":"2022-11-17T21:35:53","modified_gmt":"2022-11-17T21:35:53","slug":"lembra-te-o-homem-memento-homo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/?p=4132","title":{"rendered":"LEMBRA-TE, \u00d3 HOMEM! [\u00abMEMENTO, HOMO\u00bb]"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/51c-Lembra-te-\u00f3-homem-Memento-homo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4133\" src=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/51c-Lembra-te-\u00f3-homem-Memento-homo.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/51c-Lembra-te-\u00f3-homem-Memento-homo.jpg 213w, https:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/51c-Lembra-te-\u00f3-homem-Memento-homo-398x532.jpg 398w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>(Ciclo C \u2013 Domingo 28 do Tempo Comum)\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0LEMBRA-TE, \u00d3 HOMEM!\u00a0<\/strong><em>[\u00abMEMENTO, HOMO\u00bb]<\/em><\/p>\n<p>O texto b\u00edblico que nos aparece na primeira leitura, n\u00e3o deixa de ser interessante. E curioso, num certo sentido.<\/p>\n<p>Logo de ter sido curado da lepra, pelo poder divino de Jav\u00e9 atrav\u00e9s do seu profeta Eliseu, o general s\u00edrio\u00a0<em>Naam\u00e3<\/em>\u00a0disse ao profeta (quem previamente n\u00e3o tinha querido aceitar \u201co seu presente\u201d de agradecimento):\u00a0<em>\u201c\u00abSe n\u00e3o aceitas, permite ao menos que se d\u00ea a este teu servo uma por\u00e7\u00e3o de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais h\u00e1 de oferecer holocausto ou sacrif\u00edcio a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel\u00bb\u201d. (2 Rs 5 \/ 1\u00aa L.).\u00a0<\/em>A primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o facto de se tratar de um general que vivia no pa\u00eds da\u00a0<em>S\u00edria<\/em>, cuja capital era\u00a0<em>Damasco<\/em>\u00a0(nome que aparece anteriormente, no mesmo cap\u00edtulo 5). Ser\u00e1 que isto n\u00e3o nos diz nada? J\u00e1 repararam que estes dois nomes (S\u00edria e Damasco) aparecem, na atualidade, tantas vezes repetidos pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, infelizmente ligados aos piores conflitos b\u00e9licos?\u2026 E trata-se dos mesmos territ\u00f3rios (conservando at\u00e9 os nomes) ap\u00f3s tr\u00eas mil anos desde aquela \u00e9poca, mesmo antiga, em que se situa a hist\u00f3ria dos profetas Elias e Eliseu! N\u00e3o deixa de ser curioso e paradoxal, n\u00e3o \u00e9 verdade?\u2026<\/p>\n<p>Pois, partindo desta \u00abrealidade terreal e t\u00e9rrea\u00bb, vamos ao que interessa! Ent\u00e3o, que pode significar essa \u201ccarrada de terra\u201d, capaz de ser transportada por\u00a0<em>\u201cuma parelha de mulas\u201d?<\/em>\u00a0E qual seria o sentido de \u2013 sobre essa \u201cterra\u201d \u2013 construir um altar, em territ\u00f3rio estrangeiro, para adorar o verdadeiro deus de Israel, Jav\u00e9 Deus? \u00c9 que \u201ca terra\u201d de um pa\u00eds qualquer, naquela altura, podia representar o mais sagrado e o mais querido da gente desse pa\u00eds\u2026 E era tradi\u00e7\u00e3o, naquelas antigas eras, que, s\u00f3 construindo um altar sobre essa \u201cterra sagrada\u201d, era poss\u00edvel\u00a0<em>\u201cadorar o Deus Verdadeiro<\/em>\u00a0<em>de Israel\u201d<\/em>\u00a0(em palavras de\u00a0<em>Naam\u00e3<\/em>) mesmo que fosse num pa\u00eds forasteiro.<\/p>\n<p>Isto quer dizer que o ser humano est\u00e1 fundido e confundido, at\u00e9 certo ponto, com a pr\u00f3pria\u00a0<em>\u201cterra, da qual ele foi formado\u201d<\/em>\u00a0(Gn 2, 7). Realidade que nunca deve ser esquecida. [\u00abMemento, homo\u2026\u00bb \/\u00a0<em>\u201cLembra-te, \u00f3 homem, que \u00e9s p\u00f3 e que em p\u00f3 h\u00e1s de te converter!\u201d\u00a0<\/em>(da Liturgia:\u00a0<em>\u201cantigo rito das Cinzas\u201d<\/em>)]. Mas este facto de o ser humano sentir-se \u201cagarrado \u00e0 terra\u201d, como que formando parte dessa \u00abmat\u00e9ria bioqu\u00edmica\u00bb, n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o deve ser um \u201cpeso negativo\u201d. Ao inv\u00e9s, deve ter o significado e sentido positivo de ajudar o \u201cesp\u00edrito\u201d, essa \u00abparte nobre e imortal\u00bb que integra a nossa pessoa humana, para \u201co tal desprendimento progressivo da mat\u00e9ria\u201d, atrav\u00e9s de uma cont\u00ednua din\u00e2mica e disciplina de \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d e purifica\u00e7\u00e3o, o contr\u00e1rio de se deixar aprisionar e escravizar pelo <em>componente material\u2026 <\/em>\u00a0E \u00e9 isso mesmo que quis significar Eliseu quando recusou os \u201cbens materiais\u201d pela cura efetuada:\u00a0<em>\u201cEliseu respondeu a Naam\u00e3: \u00abPela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei\u00bb. E apesar das insist\u00eancias, ele recusou\u201d (2 Rs 5 \/ 1\u00aa L.).<\/em>\u00a0Aquele<em>\u00a0profeta de Jav\u00e9<\/em>\u00a0tinha bem claro que a aceita\u00e7\u00e3o de \u201cpresentes\u201d materiais, a troco de dons ou favores \u201cespirituais\u201d, era uma maneira de <em>o\u00a0esp\u00edrito<\/em>\u00a0ficar submetido \u00e0 mat\u00e9ria, perdendo assim a sua genu\u00edna \u201cliberdade interior\u201d. Aprendamos n\u00f3s, como Eliseu, a\u00a0<em>libertar-nos<\/em>\u00a0da \u201cterra\u201d que somos (!?).<\/p>\n<p>Ou seja, que se n\u00f3s n\u00e3o quisermos, se o n\u00e3o consentirmos, as\u00a0<em>for\u00e7as materiais<\/em>\u00a0nunca poder\u00e3o submeter as \u201crealidades espirituais\u201d. E mais, algumas destas (\u2018for\u00e7as espirituais\u2019), por si s\u00f3, s\u00e3o como que \u201cinexpugn\u00e1veis, indom\u00e1veis\u201d e nunca ser\u00e1 poss\u00edvel serem vencidas nem \u201cdomesticadas\u201d por\u00a0<em>agentes materiais<\/em>. Tal \u00e9 o caso da pr\u00f3pria\u00a0<em>\u201cPalavra<\/em>\u00a0<em>divina\u201d<\/em>, contida na B\u00edblia e transmitida pelos \u201cevangelizadores\u201d de todos os tempos, e que ningu\u00e9m poder\u00e1 \u201cencadear\u201d(!). O ap\u00f3stolo Paulo tinha longa e larga experi\u00eancia disto, quando escreve, desde <em>a cadeia<\/em> e j\u00e1 perto do fim da \u201csua carreira\u201d, ao seu disc\u00edpulo e amigo Tim\u00f3teo: <em>\u201cCar\u00edssimo: Lembra-te <\/em><em>(\u2018memento\u2019)<\/em><em> de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, pelo qual eu sofro, at\u00e9 ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus n\u00e3o est\u00e1 encadeada\u201d.<\/em>\u00a0<em>(2 Tm 2 \/ 2\u00aa L.).<\/em>\u00a0Decerto,\u00a0<em>a<\/em>\u00a0<em>Palavra<\/em>\u00a0permanecer\u00e1 sempre Livre!<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, a nossa atitude e conduta dever\u00e1 encontrar e seguir um modelo que nos guie e oriente nestes tempos conturbados, que s\u00e3o os nossos, onde abundam os \u00abprofetas\u00a0<em>da mat\u00e9ria<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>consumismo<\/em>\u00bb, que ao mesmo tempo \u201cignoram, desterram, marginalizam\u201d os \u00abdescart\u00e1veis\u00bb (em express\u00e3o do nosso Papa Francisco), isto \u00e9, todos aqueles nossos semelhantes, \u201cirm\u00e3os\u201d, que n\u00e3o interessam ou \u201ccomplicam os seus neg\u00f3cios\u201d\u2026 E aqui, precisamente, aparece-nos o exemplo de Jesus de Nazar\u00e9 com o Seu proceder \u2013 am\u00e1vel mas radical! \u2013 perante aqueles doentes, portadores da mais repelente das enfermidades, e a quem a sociedade segregava, \u00abdescartava\u00bb:\u00a0<em>\u201cAo entrar numa povoa\u00e7\u00e3o, vieram ao Seu encontro dez leprosos. Conservando-se \u00e0 dist\u00e2ncia, disseram em alta voz: \u00abJesus, Mestre, tem compaix\u00e3o de n\u00f3s\u00bb (\u2026) Um deles, ao ver-se curado, voltou atr\u00e1s, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos p\u00e9s de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano\u201d. (Lc 17 \/ 3\u00aa L.).<\/em>\u00a0Admir\u00e1vel atitude de Jesus a respeito dos\u00a0<em>\u201cprostrados de rosto<\/em>\u00a0(e de corpo)\u00a0<em>em terra\u201d!<\/em>\u00a0Ser\u00e1 que n\u00f3s seremos capazes de seguir, imitar, este exemplo de Jesus? \u2013 Certamente, a Sua Gra\u00e7a n\u00e3o nos vai faltar!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor, embora seja tamb\u00e9m incompreens\u00edvel para n\u00f3s<\/p>\n<p>o facto de nos sentirmos\u00a0<em>colados \u00e0 terra<\/em>, \u2018moldados\u00a0<em>de barro\u2019<\/em>\u2026<\/p>\n<p>mesmo assim, quem pode perguntar ao seu Criador<\/p>\n<p>\u00abComo \u00e9 que nos fizeste deste jeito e maneira?<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que nos carregaste com este fardo pesado?<\/p>\n<p>N\u00e3o seria prefer\u00edvel, apenas e s\u00f3, um esp\u00edrito leve e livre?\u00bb\u2026<\/p>\n<p>Sabemos, por\u00e9m, \u00f3 Pai, que esta nossa \u201csitua\u00e7\u00e3o pesada\u201d<\/p>\n<p>faz-Te lembrar a Tua bondade e fidelidade para connosco;<\/p>\n<p>e a Tua compaix\u00e3o cresce, \u00e0 vista da nossa fraqueza\u2026<\/p>\n<p>E ao aceitarmos tamb\u00e9m \u201ceste mist\u00e9rio\u201d que nos transcende<\/p>\n<p>\u2013 mas que n\u00e3o ir\u00e1 mais al\u00e9m de uma vida terrena e temporal \u2013<\/p>\n<p>estamos certos que assim \u00e9 melhor para a nossa salva\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>pois tudo o que Tu fazes n\u00e3o deixa de ser maravilhoso\u2026<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o questionamos nem pomos em d\u00favida que,<\/p>\n<p><em>\u00abna Tua Cria\u00e7\u00e3o,<\/em>\u00a0<em>tudo o que Tu fizeste \u00e9 muito bom\u00bb<\/em><\/p>\n<p>mesmo que, \u00e0s vezes, a nossa mente o n\u00e3o compreenda\u2026<\/p>\n<p>Mas \u2013 no meio disto e por cima de tudo, Senhor \u2013<\/p>\n<p>n\u00e3o permitas que nos deixemos dominar por essa mat\u00e9ria;<\/p>\n<p>que nunca\u00a0<em>os corpos<\/em>\u00a0submetam\u00a0<em>os esp\u00edritos!\u2026<\/em><\/p>\n<p>Pai, contamos sempre com a Tua gra\u00e7a e amizade<\/p>\n<p>para \u2013 livres \u00abem esp\u00edrito e em verdade\u00bb e junto com a Cria\u00e7\u00e3o \u2013<\/p>\n<p>podermos<em>\u00a0louvar-Te com um c\u00e2ntico novo\u00a0<\/em>de gratid\u00e3o<\/p>\n<p><em>pelas maravilhas que opera a Tua m\u00e3o e o Teu santo bra\u00e7o\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Pois \u00e9 assim como se processa a reden\u00e7\u00e3o de todos os povos,<\/em><\/p>\n<p><em>at\u00e9 que os confins da terra vejam a Tua Salva\u00e7\u00e3o!<\/em>\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/palavradeamorpalavra.sallep.net\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/51c-Lembra-te-%C3%B3-homem-Memento-homo.jpg\"><em>[ do Salmo Responsorial \/ 97 (98) ]<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Ciclo C \u2013 Domingo 28 do Tempo Comum)\u00a0\u00a0 \u00a0LEMBRA-TE, \u00d3 HOMEM!\u00a0[\u00abMEMENTO, HOMO\u00bb] O texto b\u00edblico que nos aparece na primeira leitura, n\u00e3o deixa de ser interessante. 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