
(Ciclo C – Domingo 7 do T. Comum… )
A «ESSÊNCIA» … DA VIDA CRISTÃ!
“A «essência» … (haverá quem assim pense) só pode ser o Amor”. É verdade. E, mais ainda, se alguma doutrina não começar, continuar e concluir no Amor, desde logo, nada terá a ver com Cristo nem com a vida Cristã… Agora vamos ver!
Retomemos, antes, o Evangelho da semana anterior. Nessa altura, Jesusde Nazaré, uma vez acabada a proclamação do “programa das bem-aventuranças” e as correspondentes ‘imprecações’ (ou ‘ais’), deseja continuar a esclarecer e aprofundar o “tema”… Ele sabia que, perante este ‘programa’ inesperado e radical, entre os ouvintes – “do agora” e “do sempre” – haveria, seguramente, os que acham esta doutrina demasiado exigente para lá chegar (“palavras duras”?)… e os que, insatisfeitos, vão querer ainda aprofundar, ou seja, saber ‘o porquê’ e ‘o até onde’… Pois, talvez para satisfazer uns e outros – ou, quiçá, para aumentar a sua ‘perplexidade’ – Jesus prossegue a sua explicação, “demorada e calma”; porém, sem abandonar o seu estilo direto e radical…
Não esqueçamos que Jesus escolhe, para esta exposição, um local apropriado, na ladeira de um monte baixo, que forma uma espécie de “anfiteatro natural”. (É o “espaço geográfico” que a tradição localizou e assinalou bem perto da margem norte-ocidental do mar da Galileia). Assim, toda aquela gente pode ouvir, embora só os mais próximos – “os discípulos” – seriam capazes de captar todos os ‘apartes’ e pormenores…
“Amai os vossos inimigos!”. É o primeiro ‘clamor imperativo’ que se ouve e que mantém em suspenso a atenção de toda aquela multidão. Sim, parece um mandato mais do que um desejo ou um conselho. E, desde logo, é a primeira vez que esta “novidade” se escuta, desde que o mundo é mundo, em qualquer parte do orbe terráqueo! Aliás, para que não haja a menor dúvida, vai repetindo, com as mesmas ou com parecidas palavras: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam”… E depois de lembrar aquilo que até agora era considerado como “bom”, normal e natural – ‘amar só aos amigos, querer somente aos que nos amam, fazer bem apenas aos que nos favorecem’… – então Jesus contrapõe, e repete: “Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem… sem nada esperar em troca”. E até tem introduzido, como de passagem, no meio da explicação, a chamada «regra de ouro»: «Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também».
Falta, no entanto, “o porquê” ou a causa desta “reviravolta”, desta viragem ou nova maneira de pensar e de agir que Jesus exige – desde já – a quem quiser segui-l’O como discípulo e amigo. É aí que Jesus quer chegar! E cá está: “Porque assim, sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus”… Ou, se quiserem, outra vez na forma duma ‘ordem imperativa’: “«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso»”…
E a conclusão desta parte, não deixa de ser interessante e um tanto “gráfica”: “«A ‘medida’ que usardes com os outros será usada também convosco»” (Lc 6 / 3ª L).
Imaginem agora que, quando chegar «a hora da Verdade», vamos ‘aparecer’ todos, cada qual com a sua «medida», a mesma que tivermos usado para os outros. Nessa altura, não vai ser preciso alguém “julgar-nos” ou advertir-nos seja lá o que for. Simplesmente, cada um de nós vai poder encher essa ‘medida’ com a Felicidade-Amor (!?) correspondente… E então!… Por isso – lembram-se? – dizíamos numa outra altura que, “naquele Dia”, quem nos julgará será a Palavra (que é como dizer a ‘medida’). E mais ninguém!
Acontece que, ao falarmos da Vida Cristã e da ‘medida da sua perfeição’ (e já agora, o mesmo termo com essa outra aceção) então, essa ‘medida’ ou limite, é o Amor misericordioso de Deus Pai: “Sede misericordiosos como o vosso Pai”. Quer dizer, o “modelo” a seguir é, nada menos, o nosso Pai Deus!… E, para os mais exigentes, aí estão o ‘porquê’ e o ‘até onde’!
Claro que temos outros paradigmas ou “modelos menores” de conduta neste campo da fidelidade ao Amor Misericordioso, que nos animam a seguir por este caminho do Perdão sem limites… Temos, nomeadamente, o exemplo que nos dá – ainda no AT/1ª L. – o jovem David, amigo de Deus… Naquela altura, ele não quis atentar contra a vida do seu inimigo Saul que tinha intentado matá-lo em várias ocasiões; isto, apesar de que o seu colega Abisaí lhe instava a fazê-lo, como um “ato de justiça”. David disse-lhe: “Não o matarei…”. E falando ao próprio Saul, já no fim do relato, diz: “…O Senhor retribuirá a cada um segundo a sua justiça e fidelidade. Ele entregou-te hoje nas minhas mãos, e eu não quis atentar contra ti»”. (1Sm 26 / 1ª L.). Não podemos esquecer o exemplo do Papa João Paulo II, que visitou na prisão – para levar o seu perdão! – aquele homem (Ali Ackan) que o atingira gravemente no atentado (1981).
E temos, enfim, o exemplo de S. Paulo – o grande convertido pelo próprio Jesus – que conhecia e vivia a doutrina do Evangelho de Cristo, e instava aos cristãos de Corinto, e a nós todos, a percorrermos o caminho que vai transformando o nosso “homem terreno” em “homem espiritual e celeste”. Porque, diz ele: “o homem que veio do Céu – referindo-se a Cristo Jesus – é o modelo dos homens celestes”. (1Cor 15 / 2ª L.). Então, afinal, como se vê, o nosso modelo é o próprio Cristo Jesus, além do Pai, evidentemente!
É verdade, Senhor, toda a gente sincera sabe
que Tu és um Deus clemente e cheio de compaixão…
Basta pararmos a pensar por um momento,
e logo descobrimos, em cada um de nós,
os Teus incontáveis dons, carismas e favores…
Por isso, devemos proclamar, com todos os fiéis,
que nunca esqueceremos
nenhum dos Teus benefícios!…
Mas não podemos ficar sempre assim,
na contemplação e louvor da Tua Bondade;
é preciso descer do “monte Tabor”
para, na vida e na luta de todos os dias,
“nos transformarmos” realmente, ó Pai!
Tu que és clemente e cheio de compaixão
e não nos tratas segundo as nossas culpas,
faz com que aprendamos a ser pacientes
e cheios de bondade para com todos,
até que aprendamos a perdoar sempre…
Não seríamos Teus filhos, ó Pai nosso,
se não formos capazes de perdoar a todos,
já que, na verdade, todos somos irmãos
e nos sentimos totalmente envolvidos
– acarinhados, trespassados e ‘coroados’ –
pela Tua Graça e Misericórdia!
[ do Salmo Responsorial / 102 (103) ]
22 Fevereiro, 2019
A «ESSÊNCIA» … DA VIDA CRISTÃ!
Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments
(Ciclo C – Domingo 7 do T. Comum… )
A «ESSÊNCIA» … DA VIDA CRISTÃ!
“A «essência» … (haverá quem assim pense) só pode ser o Amor”. É verdade. E, mais ainda, se alguma doutrina não começar, continuar e concluir no Amor, desde logo, nada terá a ver com Cristo nem com a vida Cristã… Agora vamos ver!
Retomemos, antes, o Evangelho da semana anterior. Nessa altura, Jesusde Nazaré, uma vez acabada a proclamação do “programa das bem-aventuranças” e as correspondentes ‘imprecações’ (ou ‘ais’), deseja continuar a esclarecer e aprofundar o “tema”… Ele sabia que, perante este ‘programa’ inesperado e radical, entre os ouvintes – “do agora” e “do sempre” – haveria, seguramente, os que acham esta doutrina demasiado exigente para lá chegar (“palavras duras”?)… e os que, insatisfeitos, vão querer ainda aprofundar, ou seja, saber ‘o porquê’ e ‘o até onde’… Pois, talvez para satisfazer uns e outros – ou, quiçá, para aumentar a sua ‘perplexidade’ – Jesus prossegue a sua explicação, “demorada e calma”; porém, sem abandonar o seu estilo direto e radical…
Não esqueçamos que Jesus escolhe, para esta exposição, um local apropriado, na ladeira de um monte baixo, que forma uma espécie de “anfiteatro natural”. (É o “espaço geográfico” que a tradição localizou e assinalou bem perto da margem norte-ocidental do mar da Galileia). Assim, toda aquela gente pode ouvir, embora só os mais próximos – “os discípulos” – seriam capazes de captar todos os ‘apartes’ e pormenores…
“Amai os vossos inimigos!”. É o primeiro ‘clamor imperativo’ que se ouve e que mantém em suspenso a atenção de toda aquela multidão. Sim, parece um mandato mais do que um desejo ou um conselho. E, desde logo, é a primeira vez que esta “novidade” se escuta, desde que o mundo é mundo, em qualquer parte do orbe terráqueo! Aliás, para que não haja a menor dúvida, vai repetindo, com as mesmas ou com parecidas palavras: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam”… E depois de lembrar aquilo que até agora era considerado como “bom”, normal e natural – ‘amar só aos amigos, querer somente aos que nos amam, fazer bem apenas aos que nos favorecem’… – então Jesus contrapõe, e repete: “Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem… sem nada esperar em troca”. E até tem introduzido, como de passagem, no meio da explicação, a chamada «regra de ouro»: «Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também».
Falta, no entanto, “o porquê” ou a causa desta “reviravolta”, desta viragem ou nova maneira de pensar e de agir que Jesus exige – desde já – a quem quiser segui-l’O como discípulo e amigo. É aí que Jesus quer chegar! E cá está: “Porque assim, sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus”… Ou, se quiserem, outra vez na forma duma ‘ordem imperativa’: “«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso»”…
E a conclusão desta parte, não deixa de ser interessante e um tanto “gráfica”: “«A ‘medida’ que usardes com os outros será usada também convosco»” (Lc 6 / 3ª L).
Imaginem agora que, quando chegar «a hora da Verdade», vamos ‘aparecer’ todos, cada qual com a sua «medida», a mesma que tivermos usado para os outros. Nessa altura, não vai ser preciso alguém “julgar-nos” ou advertir-nos seja lá o que for. Simplesmente, cada um de nós vai poder encher essa ‘medida’ com a Felicidade-Amor (!?) correspondente… E então!… Por isso – lembram-se? – dizíamos numa outra altura que, “naquele Dia”, quem nos julgará será a Palavra (que é como dizer a ‘medida’). E mais ninguém!
Acontece que, ao falarmos da Vida Cristã e da ‘medida da sua perfeição’ (e já agora, o mesmo termo com essa outra aceção) então, essa ‘medida’ ou limite, é o Amor misericordioso de Deus Pai: “Sede misericordiosos como o vosso Pai”. Quer dizer, o “modelo” a seguir é, nada menos, o nosso Pai Deus!… E, para os mais exigentes, aí estão o ‘porquê’ e o ‘até onde’!
Claro que temos outros paradigmas ou “modelos menores” de conduta neste campo da fidelidade ao Amor Misericordioso, que nos animam a seguir por este caminho do Perdão sem limites… Temos, nomeadamente, o exemplo que nos dá – ainda no AT/1ª L. – o jovem David, amigo de Deus… Naquela altura, ele não quis atentar contra a vida do seu inimigo Saul que tinha intentado matá-lo em várias ocasiões; isto, apesar de que o seu colega Abisaí lhe instava a fazê-lo, como um “ato de justiça”. David disse-lhe: “Não o matarei…”. E falando ao próprio Saul, já no fim do relato, diz: “…O Senhor retribuirá a cada um segundo a sua justiça e fidelidade. Ele entregou-te hoje nas minhas mãos, e eu não quis atentar contra ti»”. (1Sm 26 / 1ª L.). Não podemos esquecer o exemplo do Papa João Paulo II, que visitou na prisão – para levar o seu perdão! – aquele homem (Ali Ackan) que o atingira gravemente no atentado (1981).
E temos, enfim, o exemplo de S. Paulo – o grande convertido pelo próprio Jesus – que conhecia e vivia a doutrina do Evangelho de Cristo, e instava aos cristãos de Corinto, e a nós todos, a percorrermos o caminho que vai transformando o nosso “homem terreno” em “homem espiritual e celeste”. Porque, diz ele: “o homem que veio do Céu – referindo-se a Cristo Jesus – é o modelo dos homens celestes”. (1Cor 15 / 2ª L.). Então, afinal, como se vê, o nosso modelo é o próprio Cristo Jesus, além do Pai, evidentemente!
É verdade, Senhor, toda a gente sincera sabe
que Tu és um Deus clemente e cheio de compaixão…
Basta pararmos a pensar por um momento,
e logo descobrimos, em cada um de nós,
os Teus incontáveis dons, carismas e favores…
Por isso, devemos proclamar, com todos os fiéis,
que nunca esqueceremos
nenhum dos Teus benefícios!…
Mas não podemos ficar sempre assim,
na contemplação e louvor da Tua Bondade;
é preciso descer do “monte Tabor”
para, na vida e na luta de todos os dias,
“nos transformarmos” realmente, ó Pai!
Tu que és clemente e cheio de compaixão
e não nos tratas segundo as nossas culpas,
faz com que aprendamos a ser pacientes
e cheios de bondade para com todos,
até que aprendamos a perdoar sempre…
Não seríamos Teus filhos, ó Pai nosso,
se não formos capazes de perdoar a todos,
já que, na verdade, todos somos irmãos
e nos sentimos totalmente envolvidos
– acarinhados, trespassados e ‘coroados’ –
pela Tua Graça e Misericórdia!
[ do Salmo Responsorial / 102 (103) ]