«O SALMISTA ORANTE… e A NATUREZA VIVA»          

Constatamos que são muitos os Salmos onde o orante salmista fica admirado, assombrado, espantado, ao contemplar (ou imaginar) a Criação de Deus!… Sim, descobre-se que, nesta Criação, existe “algo vivo”; embora sujeito ao ciclo – repetitivo e contínuo – de ‘nascer, crescer e morrer’. Ou seja, o salmista admira-se do próprio dinamismo da Criação, mesmo daquela parte dessa criação que se considera ‘inerte’, inanimada, sem vida.

Porém, o seu louvor preferente vai principalmente para a outra parte, que constitui a Natureza Viva, o conjunto de todos os “seres vivos”, em contínuo movimento dinâmico. Incluindo-se, como é evidente, a si próprio, “o ser humano”… Cá está, por exemplo, o (Salmo 8). “Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos, a Lua e as estrelas que Tu criaste: que é o homem para te lembrares dele, o filho do homem para com ele te preocupares? Quase fizeste dele um ser divino; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos, tudo submeteste a seus pés…” (Sl 8,4-7). Ou seja, ao contemplar as próprias obras ‘inertes’ (“os céus, a Lua, as estrelas”…) não deixa de ficar admirado, espantado, ao pensar, ao mesmo tempo, no ser humano, como algo de superior (“quase um ser divino”). E então, é lógico reconhecer que lhe tenha “dado o domínio sobre as obras das Suas mãos…”. Assim, um ser vivo (não inerte), como é o ser humano (!), é capaz de “pôr em movimento” – dar vida, ‘vivificar – todos os seres inanimados (inertes) (!?)…

Ou, então, o (Salmo 19/18), onde, curiosamente, transforma a criação inerte em qualquer coisa que se mobiliza, que se mexe, que se comunica (‘as coisas, umas às outras’) e até põem-se “a falar”(!) e a transmitir-se ‘mensagens’… Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia passa ao outro esta mensagem e uma noite dá conhecimento à outra noite. Não são palavras nem discursos cujo sentido se não perceba. Mas o seu eco ressoou por toda a terra…” (Sl 19,2-5). Quer dizer, apesar de se tratar de ‘seres inertes’, a sua “linguagem” é perfeitamente inteligível: “o seu eco ressoa por toda a terra”(!).

Aliás, o nosso ‘orante salmista’ é capaz também de passar para outras criaturas inertes, mas estas já ‘obras das mãos do homem’ inspirado por Deus, que já têm um significado… E então, temos aqui: “o templo”, “as moradas de Deus”, “os átrios da Casa do Senhor”, “os altares do Senhor do universo”... Observamos isto, por exemplo, no (Salmo 84/83): “Como são amáveis as tuas moradas, ó Senhor do universo! A minha alma suspira e tem saudades dos átrios da Casa do Senhor”…

Todavia, e além disso, convida-se outros seres vivos (estes já animados) para louvar o Senhor. Uma atitude, aliás, que aparece noutros vários Salmos, onde se anima e convida às aves, o aos insetos, o até aos grandes cetáceos e ‘monstros’ do mar (Sl 104,24-30)… para louvarem o seu Criador e Senhor!

Ora bom, nesse mesmo (Salmo 84) aparece-nos a curiosa e simpática atitude de algumas aves (‘pássaros’) que ‘aprenderam’(!?) a utilizar a Casa de Deus (“junto dos teus altares”) e ao abrigo dos seus telhados, um sítio adequado e próprio para construir o lar, o ‘seu ninho’, e acolher e criar os seus filhotes… Diz assim o Salmo 84: “Até os pássaros encontram abrigo e as andorinhas um ninho, para os seus filhos, junto dos teus altares, Senhor do universo, meu rei e meu Deus (Sl 84,2-4). Parece como se estes ‘piedosos salmistas’, fossem capazes de captar e admirar a ‘atitude religiosa’ (?) ou o ‘sentido do sagrado’(?) destes animalzinhos (pardais, ou andorinhas, ou os simpáticos ‘aviões’ de voo elegante…), todos, ‘amigos’ igualmente dos seres humanos (!).

Há, ainda, Salmos que são uma rica fonte de reflexão sobre a vida e a morte: acerca da brevidade da vida e da certeza da morte…; é o caso do (Salmo 90) atribuído a Moisés…

Mas observemos o (Salmo 22/21), que é considerado como o “Salmo da paixão do justo”, como o reflete um dos seus versículos: “Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe”. Ao mesmo tempo, não deixa de nos surpreender com esta filial e sentida oração dirigida ao Senhor: “Na verdade, Tu me tiraste do seio materno; puseste-me em segurança ao peito de minha mãe. Pertenço-te desde o ventre materno; desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus” (22,7.10-11).

E já agora, por falar em “verme”, larva ou lagarta… É evidente que os salmistas daqueles tempos não eram capazes de descobrir e sentir ‘outras realidades’, como nós hoje, como fruto da investigação e das descobertas da Ciência através dos tempos…

=>   Vamos, então, imaginar que somos – qualquer um de nós – um “salmista de hoje”(?). O que é que sentiríamos ao descobrir, na ‘Natureza Viva’: por exemplo, a maravilha que  é o fenómeno conhecido em Biologia como a “Metamorfose” (nos Insetos). [ > ‘Imagem’ inicial ]. E como é que poderia ser, então, a nossa “Oração Sálmica”, dirigida ao Deus, que é o Criador do tal prodígio biológico!

Para já, dispomos da ‘Internet’ como meio de investigação e descrição do fenómeno, que nos ajudará a conhecer e ampliar o que é interessante saber… Transcrevemos aqui, porém, o que é fundamental para o nosso caso: Neste processo cíclico, o novo ser vivo – que afinal vai ser uma bela e colorida borboleta – passa por várias ‘fases’ (ovo > larva > crisálida), até sofrer uma mudança, ‘no interior’ desta crisálida ou ‘casulo’ (e de um modo ‘misterioso’(?) ainda não explicado ou esclarecido pelos cientistas!), e passar para uma alteração mais radical, que transforma – ao que parece(!) – “um ser vivo” (larva ou verme ou lagarta) num “outro ser vivo”, de um nível essencialmente superior: a tal «Borboleta»… E tudo, através dessa “metamorfose” (= transformação) misteriosa e, até agora, inexplicável!…

Moral da história: Somos levados a pensar que este processo natural parece significar, simbolizar (se for aplicado à nossa espécie humana) a passagem da vida terrena (mortal) para a Vida Eterna (imortal). Ou seja, este facto vem substituir à mal chamada ‘morte’(?), realidade inevitável!  (*)

É verdade. A nossa «oração sálmica», aqui e agora, poderia ser um reflexo do próprio (~Salmo 8): «Quando contemplo, ó Deus, esta maravilha da Metamorfose, que Tu criaste… leva-me a pensar: O que é o homem para te lembrares dele, o filho do homem para lhe dares esse poder?… Sim. Quase fizeste dele um ser divino; de glória e de honra o coroaste…».

(*). Diga-se, de passagem, que temos alguma experiência acerca do impacto positivo, e bem interpretado, que este ‘simbolismo’ tem entre a gente que participa, celebra e vive a «Páscoa jovem», ano após ano, quando lhes é apresentada esta “comparação”, que se aplica, como é evidente, quer à «Morte e Ressurreição de Cristo Jesus» quer à «nossa própria morte e ressurreição».    

                                                                              (30-06-2026)

                                                                     

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