
(Ciclo C – Domingo 29 do Tempo Comum)
SUPERAR O LIMIAR DO «EGOÍSMO»!
Sempre que tentamos empreender qualquer “empresa” (plano ou projecto), é normal acontecer um facto que vem confirmar aquele dito repetido «todos os começos são difíceis». E aparece a tentação de desistir e abandonar. Existe até uma “fábula” – entre outras várias – que reflete, de maravilha, esta constatação. E já sabemos que as fábulas são “filhas da filosofia popular”, e que, tal como os «ditados», são o fruto da habitual “repetição” das mesmas ocorrências nas vidas das pessoas, na sociedade humana… Bem, a tal fábula é, mais ou menos, deste teor: «Trepa um macaco à nogueira,/ e colhendo uma noz verde,/ na casca lhe mete o dente / o que lhe causa denteira./ Atira a noz, ó asneira,/ e então fica sem comer./ Assim irá suceder / a quem sua “empresa” larga / porque, como o símio, acha / um duro início a vencer».
É bem verdade que, por vezes, nos nossos projetos e empreendimentos, embora, inicialmente, até fazemos um propósito firme de não desanimar apesar das dificuldades… de facto desistimos e abandonamos ao aparecer os primeiros obstáculos mais difíceis ou complicados. Então, não é verdade que estamos a seguir o exemplo do protagonista da nossa fábula?
Imaginemos, aliás, que tivesse procedido desse modo “a viúva” da parábola do Evangelho de hoje (lembram-se?). Decerto não teria conseguido o seu propósito, apesar da malvadez daquele juiz: “«Vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente»”. Efetivamente, foi a decisão que tomou “o juiz iníquo” perante a resistência e não desistência daquela mulher. E Jesus, por sua vez, tira a lição conseguinte para a nossa vida em geral – e não apenas para a perseverança na oração – até porque o Pai Deus é compassivo e misericordioso, nada que se compare com “aquele juiz perverso”. (Lc 18 / 3ª L.).
Como é que, então, poderiam ser explicadas as desistências dos que largam e abandonam, mesmo após ter lutado com esforço durante algum tempo? A verdade é que, se não ultrapassarmos essas primeiras fases de resistência ao cansaço e desânimo, acabamos por não conseguir o que pretendemos. É bem possível – veja-o cada qual! – que, nesses primeiros passos de esforço e de luta, estejamos a procurar apenas a nossa satisfação e deleite pessoal (como o macaco da fábula?). Por vezes, apostamos, apenas e só, naquilo que nos dá, ou nos vai dar, prazer, para atingir projetos que, de resto, valem a pena e que, por isso mesmo, exigem um esforço considerável e continuado. Dado que a energia que dá o simples deleite (mesmo que este seja “espiritual”!) tem data de caducidade, além de carecer de resistência, será preciso portanto, ultrapassar esse «limiar do simples prazer e ganância», ou seja, superar o mero “egoísmo”!
Moisés e os seus dois colegas discípulos, também não desistiram, na sua intercessão pela vitória do seu povo, na guerra contra o inimigo. E até encontraram um estratagema para não “baixar os braços” apesar do cansaço acumulado. “Quando, no cimo da colina, Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol, e Josué desbaratou o exército de Amalec…” (Ex 17 / 1ª L.). Como se está a ver, temos exemplos abundantes de como devemos agir se quisermos ter êxito nas nossas “empresas”, especialmente se elas são de uma “dimensão transcendente”…
Será necessário proceder como o homem que, sinceramente, quer atingir a perfeição; isto é, como o “homem de Deus” de que fala Paulo ao seu discípulo Timóteo: “Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo… Já conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus… Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras”. (2 Tm 3 /2ª L.).
De nós depende: ou seguir o exemplo dos que «andam no Caminho de Jesus» e triunfam… ou apostar no mero prazer imediato que não consegue «superar o egoísmo» e a ganância terrena, indo pela vida de “tombo em fracasso”!
Poderá a vida vir a doer e sangrar, Senhor,
quando tudo parece escuro e sombrio
e o mal se multiplica à minha volta…
mas eu levantarei os olhos para as alturas,
de onde sempre me vem o Teu auxílio.
Poderá parecer que a terra ferve e anda revoltada;
que o dia e a noite se aliam para me asfixiar…
mas Tu, ó Deus, não dormes nem repousas
para que nada, na terra ou no céu, me faça mal:
nem o sol durante o dia nem a lua na noite…
Poderá aparecer o desalento logo no início da luta,
ou surgir o cansaço na “prova de resistência”,
quando o esforço e a lida não devem parar,
– enquanto a tentação do prazer nos instiga a desistir –
mas eu sei, ó Pai nosso, que a força há de vir de Ti,
Criador do céu, da terra e de tudo o que existe!
E Tu, Senhor, que velas pela vida de todos nós,
que és o nosso abrigo contra todo e qualquer mal,
protege-nos quando vamos e quando vimos…
enquanto lutamos, e resistimos, e suamos por dentro.
Nunca hás de permitir que vacilem os nossos passos,
dia e noite, agora e para todo o sempre!
[ do Salmo Responsorial / 120 (121) ]
14 Outubro, 2016
SUPERAR O LIMIAR DO «EGOÍSMO»!
Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments
(Ciclo C – Domingo 29 do Tempo Comum)
SUPERAR O LIMIAR DO «EGOÍSMO»!
Sempre que tentamos empreender qualquer “empresa” (plano ou projecto), é normal acontecer um facto que vem confirmar aquele dito repetido «todos os começos são difíceis». E aparece a tentação de desistir e abandonar. Existe até uma “fábula” – entre outras várias – que reflete, de maravilha, esta constatação. E já sabemos que as fábulas são “filhas da filosofia popular”, e que, tal como os «ditados», são o fruto da habitual “repetição” das mesmas ocorrências nas vidas das pessoas, na sociedade humana… Bem, a tal fábula é, mais ou menos, deste teor: «Trepa um macaco à nogueira,/ e colhendo uma noz verde,/ na casca lhe mete o dente / o que lhe causa denteira./ Atira a noz, ó asneira,/ e então fica sem comer./ Assim irá suceder / a quem sua “empresa” larga / porque, como o símio, acha / um duro início a vencer».
É bem verdade que, por vezes, nos nossos projetos e empreendimentos, embora, inicialmente, até fazemos um propósito firme de não desanimar apesar das dificuldades… de facto desistimos e abandonamos ao aparecer os primeiros obstáculos mais difíceis ou complicados. Então, não é verdade que estamos a seguir o exemplo do protagonista da nossa fábula?
Imaginemos, aliás, que tivesse procedido desse modo “a viúva” da parábola do Evangelho de hoje (lembram-se?). Decerto não teria conseguido o seu propósito, apesar da malvadez daquele juiz: “«Vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente»”. Efetivamente, foi a decisão que tomou “o juiz iníquo” perante a resistência e não desistência daquela mulher. E Jesus, por sua vez, tira a lição conseguinte para a nossa vida em geral – e não apenas para a perseverança na oração – até porque o Pai Deus é compassivo e misericordioso, nada que se compare com “aquele juiz perverso”. (Lc 18 / 3ª L.).
Como é que, então, poderiam ser explicadas as desistências dos que largam e abandonam, mesmo após ter lutado com esforço durante algum tempo? A verdade é que, se não ultrapassarmos essas primeiras fases de resistência ao cansaço e desânimo, acabamos por não conseguir o que pretendemos. É bem possível – veja-o cada qual! – que, nesses primeiros passos de esforço e de luta, estejamos a procurar apenas a nossa satisfação e deleite pessoal (como o macaco da fábula?). Por vezes, apostamos, apenas e só, naquilo que nos dá, ou nos vai dar, prazer, para atingir projetos que, de resto, valem a pena e que, por isso mesmo, exigem um esforço considerável e continuado. Dado que a energia que dá o simples deleite (mesmo que este seja “espiritual”!) tem data de caducidade, além de carecer de resistência, será preciso portanto, ultrapassar esse «limiar do simples prazer e ganância», ou seja, superar o mero “egoísmo”!
Moisés e os seus dois colegas discípulos, também não desistiram, na sua intercessão pela vitória do seu povo, na guerra contra o inimigo. E até encontraram um estratagema para não “baixar os braços” apesar do cansaço acumulado. “Quando, no cimo da colina, Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol, e Josué desbaratou o exército de Amalec…” (Ex 17 / 1ª L.). Como se está a ver, temos exemplos abundantes de como devemos agir se quisermos ter êxito nas nossas “empresas”, especialmente se elas são de uma “dimensão transcendente”…
Será necessário proceder como o homem que, sinceramente, quer atingir a perfeição; isto é, como o “homem de Deus” de que fala Paulo ao seu discípulo Timóteo: “Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo… Já conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus… Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras”. (2 Tm 3 /2ª L.).
De nós depende: ou seguir o exemplo dos que «andam no Caminho de Jesus» e triunfam… ou apostar no mero prazer imediato que não consegue «superar o egoísmo» e a ganância terrena, indo pela vida de “tombo em fracasso”!
Poderá a vida vir a doer e sangrar, Senhor,
quando tudo parece escuro e sombrio
e o mal se multiplica à minha volta…
mas eu levantarei os olhos para as alturas,
de onde sempre me vem o Teu auxílio.
Poderá parecer que a terra ferve e anda revoltada;
que o dia e a noite se aliam para me asfixiar…
mas Tu, ó Deus, não dormes nem repousas
para que nada, na terra ou no céu, me faça mal:
nem o sol durante o dia nem a lua na noite…
Poderá aparecer o desalento logo no início da luta,
ou surgir o cansaço na “prova de resistência”,
quando o esforço e a lida não devem parar,
– enquanto a tentação do prazer nos instiga a desistir –
mas eu sei, ó Pai nosso, que a força há de vir de Ti,
Criador do céu, da terra e de tudo o que existe!
E Tu, Senhor, que velas pela vida de todos nós,
que és o nosso abrigo contra todo e qualquer mal,
protege-nos quando vamos e quando vimos…
enquanto lutamos, e resistimos, e suamos por dentro.
Nunca hás de permitir que vacilem os nossos passos,
dia e noite, agora e para todo o sempre!
[ do Salmo Responsorial / 120 (121) ]