– A PALAVRA, refletida ao ritmo Litúrgico –

(Ciclo C – Assunção de Nossa Senhora – 15 agosto)

 

“Nesses dias, Maria pôs-se a caminho… apressadamente… Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria… ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres…». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor… De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome…»”. (Lc 1,39-56 / 3ª L.).

                                                                                            

Perante o episódio em questão (a «Visitação de Maria a Isabel») são inevitáveis algumas ‘questões’ curiosas (porém, fora do objeto da nossa reflexão)… Por ex.: Que significado pode ter a expressão “Maria pôs-se a caminho… apressadamente”?… Ou: Foi através da saudação de Maria que o Espírito Santo encheu o coração de Isabel?… E ‘esta’, sob a inspiração desse Espírito, não duvida em interrogar-se também: “Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?”… Ao mesmo tempo, resulta inaudito que, ainda no seio materno, o bebé João, de seis meses, exulte de alegria (‘talvez mexendo mãos e pés?’)… E: De mais a mais, no fim do episódio, as ‘datas do calendário’ batem certo: logo após o nascimento do João, “Maria (com o ‘seu bebé Jesus’ no seio, de três meses) regressou à sua casa, tendo permanecido lá cerca de três meses”. Um cálculo simples.

 

A – A Causa deste diálogo “maravilhoso”, dentro dum evento, por si “maravilhoso” embora ‘familiar’, só pode ter sido «Quem está a fazer “maravilhas” em Maria», ou seja, «o Todo-Poderoso».

B – Todos sabemos que o Episódio da Assunção em corpo e alma ao Céu foi a culminação da vida de Maria neste curso mortal. Ela é, portanto, “Assunta” (= ‘Elevada’) pelo Poder do seu Filho Jesus (através dos Anjos), tal como Ele “ascendeu” (na “Ascensão”) pelo próprio Poder, e não foi ‘levado’!

A – É, aliás, a última “maravilha” terreal realizada na Mãe de Deus, após a sua “morte natural” (que também nisto tinha de seguir os passos de seu Filho Jesus). Facto transmitido pela Tradição cristã.

B – Estas “Tradições” são fruto do tal «sensus fidei» do Povo Fiel. Também Ela, Maria – tal como Jesus – “não podia sofrer a corrupção do sepulcro” (Sl 15 / At 2). O que «era justo e necessário»!…

A – E fica evidente que tudo o que acontece neste – que podíamos chamar – Mistério da Visitação, sucede sob o impulso e vigor do Espírito. Aqui está uma explicação do inicial “apressadamente”.

B – E é sob a inspiração e o impulso “do mesmo Espírito Santo” (como aponta o texto) que Isabel exprime, “em alta voz”, o ‘segundo’ louvor a Maria: “«Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!…»”. O ‘primeiro’ louvor foi o do Anjo na Anunciação, bem conhecido.

A – Era de esperar que – nesta atmosfera, impregnada e protagonizada pelo Espírito – aquela Virgem Maria entoasse o hino “maravilhoso”, conhecido como «Magnificat» (como que um ‘reflexo’ daqueloutro “cântico de Ana” no AT / 1 Sm 2,1-10) que tantas vezes teria recitado a jovem Maria!…

B – Ela o faz, agora, sobretudo para reconhecer e proclamar: «As maravilhas que se realizam em Mim são devidas ao Deus Todo-Poderoso. Por isso, a minha alma glorifica (‘magnificat’) o Senhor».

                         

A-B: E nós juntamos o nosso louvor ao Teu, ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,

para – como Tu e conTigo – “magnificar”, enaltecer, ao Senhor, Pai misericordioso:

“porque a Sua bondade e misericórdia se estendem de geração em geração…

porque derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes e pobres…

porque aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias…”.   

 

// PARA uma outra REFLEXÃO ALARGADA: http://palavradeamorpalavra.sallep.net