– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –

(Ciclo A – Domingo 3 da Quaresma)

 

“Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». … Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?». … Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva»”. (Jo 4, 7.9-10 / 3ª L.).

 

Bom. Sabemos que este famoso diálogo, entre Jesus e aquela mulher samaritana, teve lugar mesmo à beira do tal Poço de Jacob, por volta do meio-dia, na estação mais quente do ano… O primeiro que nos chama a atenção – tal como aos próprios discípulos – é essa conversa entre um judeu e uma samaritana, de povos vizinhos que “não se davam”… No entanto, a questão fundamental é esta: Que terá de especial esta “água viva” que não tem a água comum e vulgar?…

 

A – Desde logo, e para quem não o souber, começamos por adiantar que, entre Jesus e as pessoas, nunca existiu qualquer tipo de “barreiras”, sejam elas de género, espécie ou número

B – É verdade. Se assim não fosse, não teriam reconhecido – até os seus inimigos! – que “Ele não fazia aceção de pessoas” (Lc 20,21). Para Jesus, temos tod@s igual dignidade: filhos de Deus!

A – Ora, no diálogo, aparece claro que, no início, não há sintonia entre a linguagem de Jesus e a daquela mulher (da Samaria). Ela conhece e fala de uma água que não é “a água” de Jesus.

B – Não faz mal. Jesus é especialista em traçar pontes e derrubar muros. Ele vai conseguir levar aquela mulher “afastada” (5 maridos e tal…) ao terreno da Verdade e do Amor. Por sorte para ela!

A – Então, se não se trata da água natural – a daquele poço e de todos os outros – para saciar a sede corporal… e, também, não se tratando dessa outra água que não satisfaz a “sede afetiva” (já ‘provada’ noutros ‘cinco poços’ ou mais…), que classe de água é esta que Jesus lhe oferece?

B – Parece como se Jesus partisse da melhor água natural, para explicar “a Sua água”… Até porque, em certos lugares, o termo “água viva” aplica-se à água corrente, oxigenada e fresca… por oposição às “águas paradas” (estagnadas?), em represas, açudes ou poços (como este de Jacob).

A – Será por isso que Jesus lhe fala de uma água que, “dentro de nós, torna-se uma nascente que jorra para a vida eterna”? Mas então, seremos capazes de “perscrutar” a natureza desta água viva?

B – Talvez não seja preciso “desvendar” nada. Basta refletir em certos textos da Palavra… Ex.: Se é verdade que “aquela rocha (da nascente) era Cristo” (Nm 20 /1Cor 10) e que “somos Batizados no Espírito Santo” (Jo 1,33)… Então, “a água viva” é: a própria Vida Divina, em Cristo e pelo Espírito!

 

A/BEstou admirado e confuso, Jesus, ao ver essa mulher, transviada, ficar Tua amiga!

Vou tentar imitar a sua sinceridade, para que a Tua água viva me inunde no mais íntimo.

E ao mesmo tempo, Jesus, faz fecundo o meu apostolado como fizeste o dela.

Que também os que nos rodeiam possam dizer-nos, como lhe disseram a ela:

“Já não é só por causa das tuas palavras que nós acreditamos em Jesus.

Nós próprios ouvimos e verificamos que Ele é realmente o Salvador do mundo”.

 

// PARA uma outra REFLEXÃO ALARGADA:

http://palavradeamorpalavra.sallep.net