
– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –
(Ciclo A – Domingo 28 do T. Comum)
“Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta”. (Fl 4,12-13 / 2ª L.)
Esta Carta de Paulo, aos cristãos de Filipos (onde aparece o conhecido «hino a Cristo, humilhado e exaltado»), caracteriza-se por um tom afetuoso que a perpassa de princípio a fim… E é bom ter presente que a Carta foi escrita desde uma das cadeias onde ele esteve preso (embora ainda não está esclarecido se desde a prisão de Roma ou desde a de Éfeso). Até se alegra de que os seus injustos cativeiros acabassem por contribuir, curiosamente, para o progresso do Evangelho… Aliás, chega a afirmar que, “fora de Cristo Jesus, tudo é lixo para ele”…
A – Sem deixar de agradecer sentidamente aos filipenses toda a ajuda que lhe enviaram à prisão, proclama – no texto que refletimos – a experiência acumulada ao longo da sua já dilatada vida, sempre conduzida por Deus. Quer deixar, na conclusão da Carta, uma lição de como atuar na vida cristã…
B – Isto para que os fiéis filipenses – de quem recebe e a quem agradece esses auxílios materiais – não pensem que ele, Paulo, vive agarrado ao bem-estar produzido por esses bens… Longe disso!
A – Atitude e conduta, aliás, bem patente na nossa sociedade consumista e hedonista, que tenta fugir sempre do que contraria, e prolongar indefinidamente o estado de bem-estar e de prazer!
B – Para Paulo, porém, é uma atitude assumida que – nesta vida terreal e transitória – é preciso aprender a viver os tempos de «não-prazer», de “necessidade”, de “pobreza”… como necessários! Mas, ao mesmo tempo, saber viver os períodos de “abundância”, de “fartura” ou de bem-estar…
A – Então, a filosofia do povo, fruto da longa experiência, é rica em ditados populares que refletem esta situação abrangente. Por exemplo, «saber estar às duras e às maduras», «nas vacas gordas, e nas magras».
B – Sim; para já não falar da atitude assumida pelos discípulos fiéis de Jesus («o servo sofredor»), “que comia e bebia”, e pelos grandes santos… como Teresa de Ávila (“a de Jesus”), que repetia às suas Irmãs aquele ditado, tão castiço e simples como sagaz, tratando-se de alimentos: «Quando perdiz, perdiz!».
A – É claro que esta conduta inclusiva… na vida, resulta muito difícil ou impossível para os que não sabem escutar e viver a Palavra de Paulo, que conclui deste modo: “Tudo posso n’Aquele que me conforta!”.
A/B: O que significa, Jesus, sentir-nos “confortados por Ti” e nada temermos na vida?
Talvez contarmos só com a Tua fortaleza, ou também com o Teu conforto e aconchego?
Os inimigos chamavam-Te “glutão e beberrão” porque comias à mesa com todos;
e a João Batista – porque “nem comia nem bebia” – diziam estar “possuído do demónio”.
Por isso, Jesus, acudimos a Ti, em quem tudo podemos porque nos confortas…
para conseguirmos imitar o exemplo de Paulo, Teresa ou João… e, pela sua intercessão,
aprendermos a conjugar os tempos de privação e de abundância, de fartura e de carência…
// PARA uma outra REFLEXÃO ALARGADA: http://palavradeamorpalavra.sallep.net
9 Outubro, 2020
«Tudo posso n’Aquele que me conforta»
Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments
– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –
(Ciclo A – Domingo 28 do T. Comum)
“Irmãos: Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. Tudo posso n’Aquele que me conforta”. (Fl 4,12-13 / 2ª L.)
Esta Carta de Paulo, aos cristãos de Filipos (onde aparece o conhecido «hino a Cristo, humilhado e exaltado»), caracteriza-se por um tom afetuoso que a perpassa de princípio a fim… E é bom ter presente que a Carta foi escrita desde uma das cadeias onde ele esteve preso (embora ainda não está esclarecido se desde a prisão de Roma ou desde a de Éfeso). Até se alegra de que os seus injustos cativeiros acabassem por contribuir, curiosamente, para o progresso do Evangelho… Aliás, chega a afirmar que, “fora de Cristo Jesus, tudo é lixo para ele”…
A – Sem deixar de agradecer sentidamente aos filipenses toda a ajuda que lhe enviaram à prisão, proclama – no texto que refletimos – a experiência acumulada ao longo da sua já dilatada vida, sempre conduzida por Deus. Quer deixar, na conclusão da Carta, uma lição de como atuar na vida cristã…
B – Isto para que os fiéis filipenses – de quem recebe e a quem agradece esses auxílios materiais – não pensem que ele, Paulo, vive agarrado ao bem-estar produzido por esses bens… Longe disso!
A – Atitude e conduta, aliás, bem patente na nossa sociedade consumista e hedonista, que tenta fugir sempre do que contraria, e prolongar indefinidamente o estado de bem-estar e de prazer!
B – Para Paulo, porém, é uma atitude assumida que – nesta vida terreal e transitória – é preciso aprender a viver os tempos de «não-prazer», de “necessidade”, de “pobreza”… como necessários! Mas, ao mesmo tempo, saber viver os períodos de “abundância”, de “fartura” ou de bem-estar…
A – Então, a filosofia do povo, fruto da longa experiência, é rica em ditados populares que refletem esta situação abrangente. Por exemplo, «saber estar às duras e às maduras», «nas vacas gordas, e nas magras».
B – Sim; para já não falar da atitude assumida pelos discípulos fiéis de Jesus («o servo sofredor»), “que comia e bebia”, e pelos grandes santos… como Teresa de Ávila (“a de Jesus”), que repetia às suas Irmãs aquele ditado, tão castiço e simples como sagaz, tratando-se de alimentos: «Quando perdiz, perdiz!».
A – É claro que esta conduta inclusiva… na vida, resulta muito difícil ou impossível para os que não sabem escutar e viver a Palavra de Paulo, que conclui deste modo: “Tudo posso n’Aquele que me conforta!”.
A/B: O que significa, Jesus, sentir-nos “confortados por Ti” e nada temermos na vida?
Talvez contarmos só com a Tua fortaleza, ou também com o Teu conforto e aconchego?
Os inimigos chamavam-Te “glutão e beberrão” porque comias à mesa com todos;
e a João Batista – porque “nem comia nem bebia” – diziam estar “possuído do demónio”.
Por isso, Jesus, acudimos a Ti, em quem tudo podemos porque nos confortas…
para conseguirmos imitar o exemplo de Paulo, Teresa ou João… e, pela sua intercessão,
aprendermos a conjugar os tempos de privação e de abundância, de fartura e de carência…
// PARA uma outra REFLEXÃO ALARGADA: http://palavradeamorpalavra.sallep.net