PALAVRA DE AMOR, PALAVRA!
A Palavra semanal refletida ao ritmo dos Ciclos Litúrgicos com apresentações multimédia.
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12 Dezembro, 2013

«JÁ É, MAS AINDA NÃO!»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –

sementinha - 3º dom Adv - A.htm

 

 (Ciclo A – 3º Domingo do Advento)

 

«JÁ É, MAS AINDA NÃO!»

 

Acontece, afinal, que, nesse famoso Reino (Império?) de que falámos… dá-se aquela espécie de súbita reviravolta. E será que tudo vai ficar virado às avessas? Pudera! Mas nada de estranho para quem conhece o estilo e feição daquele Reino imperial… Lembram-se?… O que cá parece impossível, lá é coisa normalíssima… E hoje, é A Palavra que nos ensina: “Aquilo que lá for o «menor», ainda será muito «maior» do que tudo o de cá”(cf. Mt 11 /3ª L.). É verdade. Alguém pode ter cá a fama e o renome exterior que a gente atribuía, por exemplo, a João o Batista, mas tudo isso não chega para ser o menor lá.

Ora bom, o nosso Império, veste-se agora de Júbilo e de Gáudio (neste domingo, dito de “Gaudete”) para nos declarar que, também ele, é o Reino da Alegria. Sim, porque dentro dos seus confins – que, aliás, não os tem porque lá não existe espaço nem tempo – só pode haver gozo, alegria, júbilo, exultação… para “o que antes era deserto e descampado… para a terra árida que floresceu”… Porque “se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos”… E porque lá, “o coxo saltará como o veado, e a língua do mudo cantará de alegria”… (Is 35 / 1ª L.).

Não podemos esquecer que, atualmente, andamos “a cavalgar” por este Reino, que «já é, mas ainda não»… Assim, compreende-se que, na metade desta caminhada esforçada a que chamamos Advento, e para afastar de nós o possível desânimo ou desalento, do peso da caminhada… a “Sabedoria Litúrgica” nos traga hoje umaPalavra de Alegria e nos lance uma mensagem de conforto e otimismo, através de expressões como estas: “Alegre-se o deserto… rejubile a terra árida… exultem com brados de alegria… voltem para Sião com gritos de júbilo… que a felicidade lhes ilumine o rosto… que reine o prazer e o contentamento…” (Is 35).

Do lado de cá deste Reino, estamos convencidos de que o nosso “ofício” é o do agricultor. Pois o reino é como uma semente que deve ser semeada, cultivada, tratada, acarinhada…   E, como o agricultor, aprendemos a “esperar pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e tardia”…  Porque é assim que se espera ativamente “a vinda do Senhor – sempre próxima – com o sofrimento e a paciência de que nos dão exemplo os profetas, que falaram em nome do Senhor”. (Tg 5 / 2ª L.)

Tu nos dizes, Senhor, que o teu Reino
está já dentro de nós e a crescer no silêncio,
como uma sementinha de mostarda
– porque já é mas ainda não! – …
Olha, Senhor, e vê como, entre nós,
há tanta gente oprimida e torturada,
tantos cativos sem liberdade,
tantos famintos de pão e sedentos de água…
Vem, Senhor, e caminha connosco,
para fazer o nosso sonho assim real.
Sentimo-nos seguros, porque só contigo:
os cegos veem, os coxos andam,
os leprosos curam, os surdos ouvem…
E sobretudo, os mortos ressuscitam! (Mt 11)
Dá-nos o teu Espírito Santo, que nos ajude
nesta missão que Tu nos confias no Reino,
seguindo o caminho de João e dos profetas…
Porque só Tu, Senhor, é que salvas:
só Tu quem dá a liberdade aos cativos,
quem protege os peregrinos;
só Tu quem ilumina os olhos dos cegos…
Porque só Tu reinas eternamente!
[ do Salmo Responsorial / 145 (146) ]

 

5 Dezembro, 2013

HAVERÁ UMA OUTRA ALTERNATIVA!?

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico – 

 (Ciclo A – 2º Domingo do Advento)

outra alternativa

 

HAVERÁ UMA OUTRA ALTERNATIVA!?

Já ouviram falar daquele Império – real e verdadeiro! – onde as crianças pequenas brincam com as cobras mais venenosas, e até os bebés chegam a meter os seus dedinhos na toca da víbora… e nada de mau acontece?… Claro que, nesse mesmo Reino, os lobos vivem com os cordeiros, as panteras dormem com os cabritos; os bezerros e os leãozinhos brincam juntamente; as vitelas e as ursas pastam lado a lado enquanto as suas crias dormem juntas; o leão come feno como o boi… E todos eles são pastoreados por um menino!… Coisas todas inauditas, inacreditáveis neste mundo real e material em que vivemos… não fosse a Palavra de Deus a descrever esse estado de Paraíso, numa outra dimensão… Paraíso real e verdadeiro para o futuro, porque já tinha sido real no passado, e porque já acontece realmente no presente, algures, lá onde o mal e a destruição não existem por todo o monte santo do Senhor… (Is 11 / 1ª L).

Perante isto, a postura mais fácil é: ignora-se, pura e simplesmente, ou rejeita-se como algo irreal e fantasioso… É a atitude “normal” dos que entram na corrente desta sociedade – isso sim, real e material, sobretudo “material” – e se deixam levar ao sabor das modas e do consumismo, nunca permeáveis à fantasia da Fé. Sim, porque afinal a fé também é fantástica, sem deixar de ser razoável!

A nós, portanto, calhou-nos viver neste presente, aqui e agora, e não no tal paraíso que já foi nem no paraíso que será. E somos conscientes, neste nosso tempo e contexto, que a nossa vida está exposta a contínuos riscos pelo facto de vivermos imersos nesta sociedade que é a nossa… Mesmo quando tentamos seguiro caminho certo, evitando as veredas tortuosas de que nos fala a Palavra, continua a ressoar nos nossos ouvidos todo o tipo de “cantos de sereia”, para seduzir os nossos sentidos de modo a prosseguirmos pelos caminhos largos do prazer, ou então para percorrermos as sendas de sempre, que nos levam a… parte nenhuma. Mas, uma coisa é certa: nunca poderemos dizer que não fomos avisados de mil maneiras pela Palavra – Palavra de Amor – para estarmos de olhos abertos… Aí está o alerta da semana passada, por exemplo!

E desta vez é o precursor João Batista – também ele vivendo noutro mundo irreal e fantástico? – vestido de pelos de camelo, a comer gafanhotos e mel silvestre e a clamar desde o deserto com palavras revolucionárias… Porque também ele não está de acordo com aquela sociedade, tão real e materialista quanto a nossa de hoje, cheia de veredas tortuosas, habitada por certa “raça de víboras”, povoada de árvores estéreis que serão cortadas pela raiz e deitadas ao fogo porque não prestam para mais nada… (Mt 3 / 3ª L.).

Esta linguagem – “chocante” – convida-nos à “conversão”, ou seja, à “viragem de direção e sentido” nos nossos caminhos; a endireitar as nossas veredas tortas, até sermos, de verdade, batizados no Espírito Santo e no fogo. O caminho, agora, é-nos traçado pela “voz” do Batista mas também pela “carta” de Paulo: Porque só “através da paciência e consolação que vêm das Escrituras teremos esperança… E só acolhendo como Cristo Jesus acolhe, e servindo os outros como Ele serve, é que podemos ter os Seus sentimentos; e assim conseguirmos glorificar a Deus, numa só alma e com uma só voz” (Rm 15 / 2ª L.). 

Mesmo que atualmente, Senhor,
tanta coisa do nosso mundo não nos satisfaz…
Ainda que nos envolvam as injustiças
e nos queiram penetrar os excessos…
temos desde já, ó Deus, aquela firme Esperança,
nascida da fé e da fantasia, da razão e da utopia…
Temos a Esperança que gerou em nós,
desde o Batismo, o fogo do Espírito,
capaz de contemplar, já no presente,
o que “ainda não chegou mas já é”,
porque o gérmen está em nós a crescer:
o Teu Reino, Senhor, de Verdade e de Vida…
o domínio pacífico do Rei que vem por dentro,
deste Filho do Rei que rege com justiça,
– desde o centro mesmo do nosso ser –
no Amor, na misericórdia e na paz…
Assim, ó Pai, Abba, amigo de todos os homens,
em Ti encontrarão compaixão os fracos e pobres,
defesa e libertação os oprimidos…
Em Ti serão abençoadas todas as nações da terra!
[ do Salmo Responsorial / Sl 71 (72) ]

 

4 Dezembro, 2013

“SONHO” DE DEUS?… PLANO DE AMOR!…

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –

(Ciclo A – Imaculada Conceição – 08-dezembro)

“SONHO” DE DEUS?… PLANO DE AMOR!…maria

Claro que Deus, desde a origem da Criação, apostou na liberdade humana, liberdade que Ele idealizou e criou!… E Deus é o único Ser que nem pode falhar… nem pode “arrepender-se” do que alguma vez fez!… Nunca se lamentará de ter feito o homem livre!… Portanto, e continuando a contar sempre com essa liberdade humana, capaz de fazer as maiores “asneiras” mesmo na origem (!), prometeu – logo no início daquela origem – uma outra obra maravilhosa, capaz de restaurar, com mais excelência, com mais Amor, aquele seu “sonho primigénio”… E é curioso, o Seu sonho inicial tinha nome de mulher, tinha cor feminina! 

Pois diz a Escritura (na Palavra desta Eucaristia / Gn 3 /1ªL.) falando ao Maligno: “Porei inimizade entre ti e a mulher… A sua descendência esmagar-te-á a cabeça e tu a atingirás no calcanhar”. E assim, Deus começa a mostrar e a demonstrar que a única força eficaz está na energia do débil e fraco, onde Ele age sempre para confundir o forte. Até porque a tal “descendência da mulher” é, nada menos e nada mais do que o Seu próprio Filho, JESUS – feito carne de mulher – onde se manifesta a debilidade da divindade… Deste modo quis Deus recuperar e restabelecer o seu Plano de Amor, aquele “sonho eterno” que a liberdade humana estava empenhada em torcer e deturpar. Sim, porque é tão só a força débil (?) do Amor primordial que consegue “sujeitar”(?) a vontade humana, sem diminuir nem tirar a sua liberdade… E voltamos a ser filhos, no Filho, restituindo-nos a verdadeira liberdade, dado que, n’Ele, tínhamos sido “escolhidos como filhos antes de criação do mundo” (Ef 1 / 2ªL.).

E uma vez que Deus continuava com aquele “sonho tingido de azul feminino” (a contracorrente da “sociedade”!?), eis que, ao chegar o Tempo previsto, aparece – da Sua parte – um mensageiro, que fica extasiado perante a “aura de mistério” que envolve aquela menina-mulher, e não pode menos de saudar: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!… Porque achaste graça diante de Deus…» (Lc 1 / 3ªL.). Mas que história é esta de “achar graça”? Onde é que está “a piada”?… Exatamente isso mesmo! Qualquer um de nós, se pensarmos minimamente, perante essa maravilha inaudita de uma criatura humana ter escapado à regra geral dos comuns mortais que somos gerados com a marca do mal… não poderá menos de exclamar abismado: “Olha que grande piada, que coisa fascinante, que profundo mistério de Esperança para todos nós!”. Pois, claro, Deus foi o primeiro que «achou graça»! E, por reflexo, também aquela rapariga, de nome Maria, «achou graça» a Seus olhos! Porque, afinal, “graça” não é outra coisa que amizade, e estima, e favor, e encanto, e ternura e… “sedução”!
Evidentemente, “o sonho” vai continuar sempre… até que apareça aquela“mulher revestida do sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 11). Essa Mulher que – pelo infinito Amor de Deus a todos os homens! – terá sido e será sempre a «Conceição Imaculada» ou “Nossa Mãe da Conceição”.

É bem verdade, Senhor:
quem foi resgatado da morte e voltou à vida,
quem foi restituído à sua condição original de filho,
agora já só conhece “o cântico novo”,
pois o cântico velho passou, ficou esquecido…
E assim, nós convidamos todos os povos
a entoar e cantar este Cântico Novo
para proclamar, Senhor, as maravilhas que Tu operaste…
A começar por aquela maravilha primordial
que, já na Tua mente omnisciente, Senhor,
seria Concebida Imaculada e pura…
A nossa vitória – a Tua e a nossa –
foi obra da Tua mão e do Teu santo braço;
e assim, deste-nos a conhecer a Salvação,
ao recordares, ó Pai – Abba! –,
o Teu “sonho” de Amor Eterno.
Que todos os confins da terra possam ver
a Tua prodigiosa Salvação…
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai! …
[ do Salmo Responsorial / Sl 97(98) ]

 

3 Dezembro, 2013

VIGILÂNCIA CONVENIENTE… QUAL VIGILÂNCIA?

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

 

 

– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –

(Ciclo A – 1º Domingo do Advento)

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VIGILÂNCIA CONVENIENTE… QUAL VIGILÂNCIA?

A fábula ou parábola «O bobo e o rei» vem agora de molde para ambientar este assunto. Aquele rei que entrega o seu ceptro ao bobo da corte, com o encargo de ficar com ele até encontrar, em todo o reino, um indivíduo ainda mais estúpido para lho entregar. Lembram-se?… O caso é que tendo o rei adoecido gravemente, no leito de morte chama pelo seu bobo. Ao contar-lhe o rei que está “prestes a partir para uma longa viagem”, o bobo pergunta-lhe: “E quando é que vai regressar?”. – “Não, não voltarei mais!” – responde o rei. – “E quais os preparativos que o rei fez para esta longa expedição?” – insiste o bobo. Aí o rei responde tristemente: “Nenhum!”. E o bobo conclui: “Então, toma lá o ceptro, porque agora encontrei alguém mais estúpido do que eu!”.

Fala-se muito acerca do “fim do mundo”… E não sabemos se a gente entende o significado dessa expressão! Há quem pense que S. Paulo tem a culpa (?) desta história, quando repetia e escrevia que “o fim do mundo estava já muito próximo”… Ou, talvez, seja melhor perceber um outro significado que está por trás dessas palavras!… Porque se forem entendidas como uma espécie de catástrofe cósmica instantânea e total, para acabar com tudo o que tem vida, é evidente que, já no tempo de Paulo, também não se cumpriu, da maneira que ele e aqueles primeiros cristãos parece que esperavam (?)… Desde logo, se se tratar desta classe de “fim do mundo”, julgo que há muita gente que não consegue entendê-lo assim, entre eles quem escreve. Mais ainda, podemos perguntar-nos: será necessário haver, alguma vez, “este fim do mundo”?… Ou será que o sentido da expressão de Paulo, e sobretudo da Palavra de Jesus, é bem outro?… Desde logo, o verdadeiro “fim (deste) mundo visível” acontece (está a acontecer!) continuamente para todo o ser humano – e também para todo o ser vivo (?) – desde que “a vida” existe nesta terra. Pois, no instante em que “esta vida” acaba, para qualquer ser humano, “este mundo findou” para ele. Sabemo-lo todos, por experiência própria e alheia! Poderá ser de qualquer um dos diversos e variados modos que conhecemos. Sejam eles mais repentinos, inesperados ou violentos: como numa catástrofe natural; numa agressão humana (guerra, atentado…); num acidente ou desastre de qualquer meio de transporte… Ou sejam eles mais lentos e/ou (in)esperados: como os produzidos pelas doenças (algumas tão aceleradas!); ou como o desgaste natural da velhice… Etc.

A Palavra deste domingo vai, evidentemente, nesta onda. Se é verdade que “o cenário deste mundo passa” e pode acabar – de improviso! – em qualquer momento e lugar, para assim começar uma Outra “Vida” numa outra dimensão… então, é evidente que não podemos viver, assim (“dolce far niente”) como se nada se passasse, pondo em sério risco ou em grave perigo essa Vida, que, afinal, será o natural prolongamento do que esta tiver sido aqui e agora (“hic et nunc”, que diriam os latinos). Só nesta dimensão e perspetiva há que entender e interpretar as diversas Palavras desta Eucaristia: “vigiai, porque não sabeis em que dia virá”; “estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais”… (do Evangelho / 3ª L.). Ou então: “vós sabeis em que tempo estamos”; “a noite vai adiantada e o dia está próximo”; “vistamos as armas da luz”… (de Rm / 2ª L.). E também: “vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor”… (de Is / 1ª L.). Que cada qual faça a sua reflexão, a sua meditação, a sua oração!…

É verdade, Senhor, se vivermos segundo a tua Palavra,
sentiremos os acontecimentos presentes e vindouros
com a doce expectativa de quem caminha
para a tua Casa, na Jerusalém celeste;
e olharemos para o futuro com a esperança gozosa
de quem vai celebrar eternamente o teu Nome.
Assim, queremos pedir a tua paz, Senhor,
para a Jerusalém de cá, para os nossos irmãos e amigos,
para todos os que nos ajudam nesta caminhada vigilante,
nesta travessia certa, nesta vida desperta e alegre,
sempre com o olhar da Esperança previdente…

 [do Salmo Responsorial / Sl 121(122)]

 

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