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– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico –

(Ciclo A – 2º Domingo do Advento)

 

João Batista… tinha uma veste tecida com pêlos de camelo…

O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre…

E clamava…«O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo»…”. (Mt 3, 4.10 / 3ª L.).

 

Não podemos menos de nos perguntarmos: Será que têm algum significado especial as coisas estranhas que envolvem a personagem do Batista?… Esse seu estilo  de vida “inconveniente” mas com atitudes coerentes… serão necessários para exercer a sua “missão”?… Para poder utilizar ele esse tipo de linguagem e expressões (o machado à raiz, árvores sem fruto, cortar e deitar ao fogo, raça de víboras, batizar na água e no fogo…) será que é necessário ele viver daquele “jeito” (vestido com pêlos de camelo, alimentado com gafanhotos…)?… Não será isto, apenas e só, mais uma “montagem artificial e ridícula”, daquelas que, hoje, na nossa sociedade, muitos (!) praticam à perfeição, com toda a “naturalidade”?…

A – Realmente, somos inclinados a pensar que tudo isto não passa de um interessante teatro cómico, uma espécie de encenação “chocante”…

B – Não só chocante mas também, e sobretudo, “perturbante”, pois é bem funda a impressão que pode causar em muitos espíritos, conformistas e apáticos (?).

A – Uma coisa parece certa: tanto o “seu aspeto” como a “sua voz”, ao que parece, não deixava a ninguém indiferente.

B – Todos acudiam a ele, até os grandes mandatários, chefes e sábios – muitos deles, os fariseus e saduceus, não precisamente com as melhores intenções – …

A – É exatamente a estes que o Batista chama “raça de víboras”. Terrível “epíteto”!… Oxalá que nunca se possa aplicar a nós esta invectiva!

B – Mas a questão principal mantém-se: E nós, qual é o nosso “papel” nesta “encenação” radical e exigente? O que é que nós – tu e eu – “representamos”, desde já, nesta “obra”?…

 

A/B: Para que o “tal machado” não venha cortar a “nossa raiz”,

Senhor, vamos escutar e seguir, a voz do Teu “precursor”,

que clama nos nossos desertos!…