
«É ‘UNIDADE’?, É ‘COMUNIDADE’?,… – É TRINDADE!!!» [II]
«UM para TODOS e TODOS para UM». Também este podia ser o título envolvente desta [II] e última parte prometida anteriormente (em 15-06-2025).
A própria “imagem-figura” central da Ilustração utilizada nesta nossa reflexão (e que vem já de Ilustrações precedentes) serve para centrar o que ‘nos falta’(!?) para concluir o tema que refletimos.
E estamos a contemplar – na tal imagem trinitária – (originariamente criada “em terracota”) uma representação, mesmo original e criativa, da Trindade Divina, onde o Pai, o Filho e o Espírito estão como que debruçados e absolutamente concentrados, dedicados a tratar de um “ser humano”, que precisa de ser atendido e acarinhado, como sendo o centro de toda a Ação Trinitária… Nada menos!!! [Acontece que a artista, “criadora” da Imagem, é uma mulher (Irmã Cáritas Müller). E é mesmo. Só a psicologia feminina foi capaz de captar a “Psicologia(?) Maternal” da Divina Trindade!]. Sim, «UM para TODOS e TODOS para UM».
À luz desta ousada “imagem” de representação Trinitária – aceite como possível e real – não resultará difícil ou intrincado entendermos e aceitarmos certas realidades, que possam parecer-nos um tanto míticas, misteriosas ou de ‘ciência ficção’… Vejamos!
Quando, por exemplo, o Salmo 8 diz assim, abertamente, “O que é o homem para dele Te lembrares, o ser humano para lhe dares poder?…”(Sl 8), nós podemos imaginar que Deus poderia responder: – «Não, assim não! Eu direi melhor, isto: Sou Eu que te fiz, te criei – e “te gero” incessantemente – “à Minha imagem e semelhança” (Gn 1,26), parecido coMigo, em Mim. Tu és Eu mesmo… Então, não tenho de dar-te ‘poder’, pois já tens essa ‘potência’ pelo facto de seres quem és»… – Nesse caso, Senhor, só temos de aceitar e adorar mais este imenso e incomensurável Mistério!… Mistério, sim, porque se Cristo Jesus – o Filho – o não tivesse revelado e afirmado, nenhum humano teria ousado pensar ou pronunciar tal coisa!
Mas continuemos refletindo nesta linha e dentro deste Mistério.
Nós poderíamos pensar também que Deus acabaria por ficar ‘ciumento’(!) do ser humano… pelo facto de lhe ter dotado de “dons – até divinos – ilimitados”, sob pena de «esse humano ficar a ser como Deus» [que foi precisamente a “tentação original” do Paraíso: “sereis como Deus”(Gn 3,5-6)]…
Todavia, ao que parece, Deus não se importa com semelhante coisa! Até gosta disso, isto é, Deus gostaria que ‘o homem ficasse a ser como Ele’ (!?) …
Ou seja – e estas são palavras do próprio Jesus – : “Porventura, não foi Deus que vos disse: «Sois deuses!» (cf. Sl 82,6), e a Escritura não pode falhar…?”.(Jo 10,34-36).
As consequências desta realidade – desta Palavra de Deus – foram cumprindo-se através e ao longo de toda a História da Humanidade…
E basta-nos verificar continuamente que o “progresso” produzido pelo homem… parece ilimitado. E o será!…
Não é preciso mais do que observar o que está a acontecer, à nossa volta, na sociedade que nos envolve e penetra. A todos os níveis, e não só ao nível tecnológico e informático! Atualmente já estamos a ser “invadidos” pela ‘omnipresente e penetrante’ IA (Inteligência Artificial). Isso está a demonstrar que a Ciência Informática continuará a escalar de forma imparável as sucessivas “dimensões” do conhecimento humano… Como, aliás, aconteceu, no passado, com outras ciências e/ou campos do saber.
Porém, é evidente que sempre estará presente o consentimento e o agrado de Deus – seu beneplácito – pois criou-os precisamente para isso! Eis o que diz o Génesis (o primeiro Livro da Bíblia): “Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: «Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra…»”(Gn 1,27-28). Assim, já sabemos agora o significado da expressão “dominai a terra”, no melhor sentido da Palavra! [O saudoso Papa Francisco explicou-o magistralmente na sua Encíclica «Laudato si», e não só…].
Em conclusão, não é verdade que agora já estamos melhor preparados para compreender o significado e coerência de colocar a nossa “Imagem Trinitária” (recuperada) no centro do nosso Mundo Humano? (30-07-2025)
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25 Agosto, 2025
«EVANGELHO NEUTRO?… – EVANGELHO RADICAL!»
Luis López A Palavra REFLETIDA
«EVANGELHO NEUTRO?… – EVANGELHO RADICAL!»
Como ponto de partida, temos hoje uma «frase/afirmação» e a explicação correspondente do nosso Papa Leão XIV… dirigida a todos, a começar pelos jovens (por ocasião do seu ‘Jubileu em Roma’ / Semana: 28.07 a 03.08):
«“Não existe Evangelho neutro: Ou seguimos a verdade ou traímos a cruz!” Esta afirmação é um apelo forte à autenticidade da fé cristã. O Evangelho não é neutro nem cómodo, exige escolha, compromisso e, muitas vezes, sacrifício. Seguir a verdade é viver segundo os ensinamentos de Cristo, mesmo quando isso implica perder conforto, prestígio ou aceitação social. A cruz, mais do que um símbolo de dor, é sinal de decisão. Moldar o Evangelho às modas ou ideologias esvazia o seu poder. Ser neutro é, na prática, rejeitar a urgência da mensagem de Cristo, ao ‘lavar as mãos’ diante da injustiça como fez Pilatos. Ou seguimos a verdade ou traímos a cruz. Não fomos chamados a ser espectadores, mas discípulos, e o verdadeiro discípulo carrega a Cruz com os olhos fixos na Ressurreição».
Então, se «a cruz é sinal ‘de decisão’ mais do que um símbolo ‘de dor’» isso quer dizer que Jesus, ao ‘aceitar livremente’ a paixão e morte (como Ele mesmo afirma noutros lugares), “decide” conscientemente demonstrar que ‘a cruz’ é, apenas e só, o ‘caminho’ que leva à Felicidade da Salvação; portanto, questão de “decisão”.
Isto – por coincidência – vai na mesma linha da “mensagem” que, este ano, estamos a partilhar com os nossos ‘amigos’ (facebook / por ocasião das suas ‘festas de anos’), no sentido de ‘não confundir a felicidade com o prazer’. E o núcleo desta mensagem aceita e assume que «a “felicidade” é compatível com a “cruz” (ou ‘as cruzes’) enquanto o ‘prazer’, por definição, é incompatível com tudo aquilo que tiver a ver com a ‘cruz’ (sacrifício, dor, pesar, desgosto…). Mas isto explica-se do modo seguinte.
É que essa ‘felicidade’ que desejamos aos outros e a nós (por ex. nos ‘aniversários’) está-se a confundir com outras ‘coisas’ que são apenas ‘prazer’ (gosto, agrado sensorial, satisfação, bem-estar,…) coisas todas passageiras, isto é, ‘com data de caducidade’(!). Então, se pensarmos bem, temos de concluir que a felicidade não pode ser nenhuma dessas coisas, visto elas serem incompatíveis com a dor, o sofrimento, a cruz…
Porém, a “Felicidade” é compatível com qualquer uma delas, e com todas… Sim, uma pessoa que ama de verdade, sabe por experiência própria, que ela está a sentir-se intimamente feliz, mesmo quando está a sofrer (dor, mágoa, mal-estar, pesar, ‘cruz’…) por alguma causa justa, ou por uma pessoa amada… Isto não é possível para quem confunde o ‘prazer’ com a “felicidade”…
E se agora olharmos para o exemplo da vida de Cristo Jesus, que nos aparece no Evangelho, podemos observar que – através da sua Paixão e Morte de Cruz – pela sua Ressurreição, conseguiu a verdadeira FELICIDADE, para Ele e para todos os seus irmãos e irmãs: aliás, a Humanidade inteira!…
Ora bem, temos de reparar que, logo no início do relato desta Paixão e Cruz, aparece clara a “chave” de interpretação que explica o sentido da Sua Paixão e, ao mesmo tempo, explica essa nossa afirmação anterior «Uma pessoa que ama de verdade, sabe por experiência própria, que ela sente-se intimamente feliz, mesmo estando a sofrer». E reparemos bem nas palavras de Jesus (dessa tal ‘chave’) “quando se pôs à mesa (da Última Ceia) com os Apóstolos, diz-lhes: «Tenho desejado ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer…»”.(Lc 22,15…). “Tenho ardentemente desejado”. Pelo contexto de tudo o que vem a seguir (o relato completo da Paixão), deduz-se que, o facto de iniciar os padecimentos que vai sofrer – não pelo facto de padecer em si, mas pelas consequências (isto é, a Redenção para todos) – isso, constitui um “desejo ardente”, que se deve interpretar como uma alegria profunda, ou seja, a “felicidade” verdadeira!!!
Não é verdade que este Evangelho de Jesus – e nosso!? – é mesmo um “Evangelho radical”? – Pois é mesmo. E é “radi.cal” por estar “en.raiz.ado” no próprio Ser de Cristo Jesus.
Decerto, o Papa Leão tem toda a razão!… E nós com ele!
(25-08-2025)
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