
Iniciamos este novo ‘bloco’ de ‘Pensamentos Persistentes’ com o subtítulo “P. Persistentes e Salmos bíblicos”, embora os relativos a esta primeira Reflexão não são propriamente ‘Salmos’. Trata-se de dois ‘Cânticos’ bíblicos: o ‘Benedictus’ de Zacarias e o ‘Magnificat’ de Maria. Mesmo assim, podem considerar-se como ‘salmos’. Vemos já porquê.
Antes de mais, convém transcrevermos aqui – a modo de introdução – um “texto-parágrafo”, da nossa última Reflexão anterior [«A Salvação… na ‘terna e eterna’ Misericórdia!» – do 30.12.2025], que vem como ‘de molde’ para esta de hoje:
(Estávamos, na altura, em pleno Natal). «Apareceu-nos um “Redentor-Salvador” que ninguém podia ‘imaginar’. O próprio “povo hebreu” – depositário das ‘promessas’ – esperava um “Messias em força e poder”, que acabasse com todos ‘os inimigos’ (também – e sobretudo – com esses inimigos que eram outros ‘humanos’) que o mantinham dominado e submetido pela ‘força e poder físicos’… Para confirmar isto, basta abrir as “Escrituras, em todo o AT” – principalmente nos ‘Salmos’ (!?) – onde aparecem repetidamente esses tais ‘inimigos’ (sempre de ‘força física, material’) que terá de vencer o futuro ‘Messias-Salvador’. Aliás, esse tal Messias terá que ser, igualmente, um “Guerreiro”, que ‘vença e destrua’ os seus “guerreiros inimigos”». Fim da citação.
Vemos, então, que não se trata de ‘inimigos do espírito’, mas de inimigos materiais, ‘corporais’, físicos, (de carne e osso). Este sentido é o que predomina em todo o AT, nomeadamente nos Salmos, como é referido expressamente no texto transcrito. E era “normal”(?) que assim fosse. Pois o “campo do espírito” aparecerá, plenamente, só no NT, com Jesus, o Messias Salvador.
Não obstante, quisemos começar precisamente, conforme já se indicou, por estes dois Salmos/Cânticos (o ‘Benedictus’ de Zacarias e o ‘Magnificat’ de Maria), já que podem ser considerados como ‘salmos’, e, ao mesmo tempo, ocupar um lugar privilegiado e único: ‘de transição’ entre o Antigo e o Novo Testamento.
É verdade que, historicamente, aconteceu primeiro a aparição do “Magnificat”, na saudação de Maria à sua parente Isabel na Visitação, e que, só três meses após, no nascimento de João Batista, é que Zacarias proferiu (e escreveu!) o seu “Benedictus”. Mesmo assim, é lógico pensarmos que o “Magnificat” só fosse transcrito muitos anos mais tarde por um dos evangelistas – S. Lucas – ‘ao ditado’ da própria Virgem Maria (a quem, os primeiros cristãos, se referiam como “a Mãe”). Só a Ela pode ser atribuído “o achado” precioso.
Bom, mas agora é interessante refletirmos acerca do sentido e importância que têm ambos os dois, e cada um destes ‘hinos’ (‘cânticos’) como elo de ligação entre os dois Testamentos.
O «Benedictus» pode ser considerado como o último “texto-salmo” do AT. Se reparamos bem, ainda apresenta alguma ‘contaminação’(?) dos Salmos antigos; embora apareça só em 2 dos seus 12 versículos. Quando diz: “Chega já o Salvador poderoso… para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam” (Lc 1,71). “E para nos conceder esta graça: de o servirmos um dia, sem temor, livres das mãos dos nossos inimigos” (Lc 1,74). Linguagens estas que – é preciso assinalá-lo – ainda refletem alguma “violência física” e conseguinte “ódio” e “temor”, relativamente a otros inimigos, que também parecem ainda humanos…
No «Magnificat», por seu lado, nada disto aparece já na linguagem que utiliza Aquela que era já a Mãe de Deus, pois quando “exultou de alegria” e pronunciou o “seu Cântico” (do “Magnificat”) já levava – incarnado no seio virginal – o próprio Filho de Deus! A sua linguagem é de um outro estilo, positivo, conciliador… Porém, sem deixar de reconhecer, o que é “mau” e está mal, confrontando-o com o “bom” e o bem. E exprimindo-o com palavras simples e singelas, como devem ser sempre as palavras para dizer a verdad. Ela diz, por exemplo: “O Senhor… dispersou os soberbos; derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1, 51-52). E “aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1, 53).
Então, temos dois “Personagens” da Bíblia (Zacarias e Maria). O último ‘Profeta’ do AT (pai do Precursor do Messias). E a primeira ‘Profetisa’ do NT (Mãe do próprio Messias, o Filho de Deus). E temos assim os seus respetivos “Cânticos” proféticos (‘Benedictus’ e ‘Magnificat’) que são “o elo de união” e, ao mesmo tempo, fazem “o ofício de transição” -admiráveis! – entre o Antigo e o Novo Testamento. O primeiro, seria como ‘o último Salmo’ do Velho Testamento, que cederia a passagem ao segundo: o primeiro ‘Salmo’ do Novo Testamento, o “Magnificat”.
(25-02-2026)
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![«A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] … «A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] …](https://palavradeamorpalavra.sallep.net/wp-content/uploads/2026/03/20.a.A-‘PAIXAO-DO-JUSTO-Sl-22-21.--1024x717-50x50.jpg)




30 Março, 2026
«A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] …
Luis López A Palavra REFLETIDA
«A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] …
E «O ‘CÂNTICO DO SERVO’» [Is 53] …
Apresentamos, desta vez (e já dentro do Tempo litúrgico da “Semana Santa-2026”) um paralelismo “intercalado” ou interposto, entre:
(«) [ Salmo (22 / 21), que é a «Paixão do justo» ], e
(») [ Profecia de Isaías (c. 53), que é o «4º Cântico do Servo» ].
Mas (na história da Bíblia) qual é que foi ‘antes’, e qual foi ‘depois’? Historicamente é praticamente impossível determiná-lo… Porém, a lógica humana – e a espiritual – supõem e aceitam que fosse a Profecia primeiro, e o Salmo (a Oração) depois. Mesmo assim, na realidade, e para a Teologia Bíblica, não faz diferença (!) qual fosse primeiro e qual depois…
Contudo, não podemos esquecer que foi o próprio Cristo (o Messias Salvador, Deus e homem) quem ‘fez sua’ essa ‘exclamação’, quando estava já “pregado na Cruz”, e prestes a exalar o último suspiro. (Mt 27,46 ou Mc 15,34) É evidente que Jesus conhecia muito bem este Salmo 22(21), que teria rezado muitas vezes durante a sua vida… Também devia conhecer, por ter lido e meditado (tantas vezes!) o c. 53 do Profeta Isaías na sinagoga da sua aldeia de Nazaré…
Então, começa o salmista, o orante, com esse “grito desgarrado(?)” de quem – diante de Deus – ‘sente-se como que abandonado’ no meio de terríveis dores e sofrimentos… E, logo a seguir, segue, sucessivamente, o tal “paralelismo” intercalado:
(«) Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste (Mc 15,34)
rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?…
…Em ti confiaram os nossos pais
e Tu os libertaste; a ti clamaram e foram salvos…
(») Ao servo do Senhor… vimo-lo sem figura nem beleza,
sem aspeto atraente… como alguém cheio de dores,
habituado ao sofrimento… diante do qual se tapa o rosto…
(«) Eu sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe…
(») Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças,
carregou as nossas dores.
Nós o reputávamos como um leproso,
ferido por Deus e humilhado.
Mas foi ferido por causa dos nossos crimes,
esmagado por causa das nossas iniquidades.
O castigo que nos salva caiu sobre ele,
fomos curados pelas suas chagas…
(«) … Na verdade, Tu me tiraste do seio materno,
puseste-me em segurança ao peito de minha mãe.
Pertenço-te desde o ventre materno;
desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus.[Sl 22(21),10-11] (*)
(») Todos nós andávamos desgarrados
como ovelhas perdidas,
cada um seguindo o seu caminho.
Mas o Senhor carregou sobre ele todos os nossos crimes.
Foi maltratado, mas humilhou-se e não abriu a boca,
como um cordeiro que é levado ao matadouro…
(«) …todos os meus ossos se desconjuntaram;
o meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.
A minha garganta secou-se como barro cozido…
reduziste-me ao pó da sepultura…
trespassaram as minhas mãos e os meus pés:
posso contar todos os meus ossos…
Repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam a minha túnica.
(») Foi suprimido da terra dos vivos…
por causa dos pecados do meu povo ele foi ferido.
Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios,
e uma tumba entre os malfeitores…
embora não tenha cometido crime algum,
nem praticado qualquer fraude.
Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo com sofrimento,
para que a sua vida fosse um sacrifício de reparação…
(«) O Senhor não desprezou nem desdenhou
a aflição do pobre, nem desviou dele a sua face;
mas ouviu-o, quando lhe pediu socorro…
(») O servo foi contado entre os pecadores,
tomando sobre si os pecados de muitos…
ele, o justo, justificará a muitos,
porque carregou com o crime deles…
ele próprio entregou a sua vida à morte
e sofreu pelos culpados…
(«) Mas Tu, Senhor, não te afastes de mim!
És o meu auxílio: vem socorrer-me depressa!…
Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos
e te louvarei no meio da assembleia…
(») Terá uma posteridade duradoura e viverá longos dias,
e o desígnio do Senhor realizar-se-á por meio dele…
ser-lhe-á dada uma multidão como herança,
há de receber muita gente como despojos,
Por causa dos trabalhos da sua vida verá a luz.
O meu servo ficará satisfeito com a experiência que teve.
(«) Hão de lembrar-se do Senhor
e voltar-se para Ele todos os confins da terra;
hão de prostrar-se diante dele
todos os povos e nações…
porque ao Senhor pertence a realeza.
Ele domina sobre todas as nações…
Uma nova geração o servirá
e narrará aos vindouros as maravilhas do Senhor…
Então, verificou-se que – após tantos “acontecimentos aflitivos” e “sofrimentos terríveis” – a «história» conclui em Vitória e em Glória; quer na ‘Profecia’ quer no ‘Salmo’. Como não podia ser doutro modo!
E… já agora: Talvez não repararam, nessa parte do Salmo onde se alude à “mãe do justo”?… E então – no caso do «Justo, Messias Salvador, Jesus Cristo», a quem toda a «história»(!) ‘prefigura’, quem é que representam estas expressões: “seio materno… ao peito de minha mãe… o ventre materno… desde o seio de minha mãe”? [ Ver: (*) ]
Está bem claro que é uma referência profética, do Salmo, à Virgem Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus Cristo e, portanto, nossa Mãe! Tenho dito.
(30-03-2026)
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