
(Ciclo C – Domingo 31 do Tempo Comum)
UMA «VIRAGEM» NA VIDA, PRECISA-SE!
Imaginemos um homem rico, e cujas abundantes riquezas são consideradas, pelas pessoas que o conhecem, como de procedência duvidosa, pouco honesta e nada transparente… E que, de repente, por um impulso interior, perante um certo acontecimento “perturbante”, dá-se, na vida dessa pessoa, uma “reviravolta” de franca conversão. Suponhamos também que este homem, naquele impulso de sincero fervor inicial, promete, diante de várias testemunhas, “distribuir metade dos seus bens pelos pobres e restituir quatro vezes mais àqueles que tenha causado qualquer prejuízo”. Vocês imaginam o que, nos dias seguintes, sucederia na casa daquele indivíduo?… (Não se esqueçam que era «chefe de publicanos», y que, portanto, os “prejuízos causados” seriam facilmente “multiplicados”). Então, quantos “credores” chegariam ao pé dele e diriam, por exemplo: «O senhor enganou-me e roubou-me… 500 ou 3.000 ou 5.000…; e, portanto, eu devo levantar 2.000 ou 12.000 ou 20.000!…». E, como se isto não bastasse, a “fila de pobres”, à porta, “reclamando a sua quota-parte” com base na generosidade prometida daquele senhor!… Acham que esta situação, um tanto caricata, poderia ter acontecido de facto? Pois, ainda que o não pareça, esta história foi real (enquanto não se demonstrar o contrário!). Seu nome era Zaqueu!
Mas, indo ao núcleo da questão que agora interessa, vemos que a Palavra de hoje começa por reconhecer a necessidade da conversão na vida das pessoas… Porque, se é verdade que Deus desvia o Seu olhar dos pecados humanos e se compadece de todos porque é omnipotente (!), não é menos verdade que isso não nos dispensa do arrependimento e da conversão para entrar no rumo que aponta à Salvação. É isto mesmo que afirma o autor bíblico, logo na primeira leitura, com palavras inspiradas: “Senhor, de todos Vos compadeceis, porque sois omnipotente, e não olhais para os pecados deles para que se arrependam… Mas a todos perdoais, porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida… Por isso castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós, Senhor”. (Sb 11 / 1ª L.).
Pode até, nos parecer muito difícil mudar a (des)orientação da nossa vida; aquela “reviravolta” que é preciso aplicar à direção errada no carreiro que estamos a trilhar. E continuamos sempre a adiar, para mais tarde, a decisão, apesar de acharmos que é muito conveniente essa “viragem” e que não deixamos de escutar, uma e outra vez, a “voz interior” que nos diz: «Amigo, Eu hoje precisava de ficar na tua casa!». Muitas pessoas estão a ouvir “esta voz” continuamente, e não só o Zaqueu do Evangelho, aquele que trepou a uma árvore para ver o Mestre de Nazaré. “Então, olhando Jesus para cima, disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria”. Claro que não faltaram os críticos de sempre a julgar a atitude de Jesus. “Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador»”. Ainda bem que, naquele momento, o que os outros dissessem ou julgassem, ao seu respeito, não lhe merecia o mais mínimo interesse; e assim, Zaqueu, continuou o seu compromisso de verdadeira conversão, prometendo a Jesus, diante de todos os presentes: “«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido»”. (Lc 19 / 3ª L.). E já agora: como se está a ver, o Evangelho refere esta ocorrência como um facto histórico; não é verdade?
Isto obriga-nos a pensar – se formos sinceros – que a nossa situação pessoal, ainda que fosse tão complicada como a de Zaqueu, nunca justificaria a nossa desistência de empreender a verdadeira conversão. É evidente que, se formos capazes – e sempre o seremos se quisermos – deveremos acudir ao Senhor através da Oração! É o conselho que nos dirige Paulo, indiretamente, quando comunica aos cristãos de Tessalónica: “Irmãos: Nós rezamos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé”. (2 Ts 1 / 2ª L.). Quer isto dizer que, se contarmos, assim, com a força e o poder de Deus – desde a nossa humilde verdade – nada será impossível para nós!
A Tua misericórdia, Senhor,
não é apenas para alguns privilegiados,
pois ela abrange e atinge a todos.
É verdade: Tu és clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Tu, Senhor, és bom para com todos,
e o Teu Amor misericordioso
estende-se a todas as criaturas…
Amparas sempre os que vacilam
e levantas todos os oprimidos…
Isto nos anima e encoraja para empreender,
sem qualquer temor ou hesitação,
a tarefa da nossa mudança e conversão,
o caminho que, de certo, conduz à Salvação…
Graças Te deem, Senhor, todas as criaturas,
e Te bendigam todos os Teus fiéis…
E nós com eles, pelo nosso “caminho de conversão”,
proclamaremos a glória do Teu Reino
e anunciaremos os Teus feitos gloriosos…
Porque Tu, ó Pai, és fiel à tua Palavra
e perfeito em todas as Tuas Obras!
[ do Salmo Responsorial / 144 (145) ]
28 Outubro, 2016
UMA «VIRAGEM» NA VIDA, PRECISA-SE!
Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments
(Ciclo C – Domingo 31 do Tempo Comum)
UMA «VIRAGEM» NA VIDA, PRECISA-SE!
Imaginemos um homem rico, e cujas abundantes riquezas são consideradas, pelas pessoas que o conhecem, como de procedência duvidosa, pouco honesta e nada transparente… E que, de repente, por um impulso interior, perante um certo acontecimento “perturbante”, dá-se, na vida dessa pessoa, uma “reviravolta” de franca conversão. Suponhamos também que este homem, naquele impulso de sincero fervor inicial, promete, diante de várias testemunhas, “distribuir metade dos seus bens pelos pobres e restituir quatro vezes mais àqueles que tenha causado qualquer prejuízo”. Vocês imaginam o que, nos dias seguintes, sucederia na casa daquele indivíduo?… (Não se esqueçam que era «chefe de publicanos», y que, portanto, os “prejuízos causados” seriam facilmente “multiplicados”). Então, quantos “credores” chegariam ao pé dele e diriam, por exemplo: «O senhor enganou-me e roubou-me… 500 ou 3.000 ou 5.000…; e, portanto, eu devo levantar 2.000 ou 12.000 ou 20.000!…». E, como se isto não bastasse, a “fila de pobres”, à porta, “reclamando a sua quota-parte” com base na generosidade prometida daquele senhor!… Acham que esta situação, um tanto caricata, poderia ter acontecido de facto? Pois, ainda que o não pareça, esta história foi real (enquanto não se demonstrar o contrário!). Seu nome era Zaqueu!
Mas, indo ao núcleo da questão que agora interessa, vemos que a Palavra de hoje começa por reconhecer a necessidade da conversão na vida das pessoas… Porque, se é verdade que Deus desvia o Seu olhar dos pecados humanos e se compadece de todos porque é omnipotente (!), não é menos verdade que isso não nos dispensa do arrependimento e da conversão para entrar no rumo que aponta à Salvação. É isto mesmo que afirma o autor bíblico, logo na primeira leitura, com palavras inspiradas: “Senhor, de todos Vos compadeceis, porque sois omnipotente, e não olhais para os pecados deles para que se arrependam… Mas a todos perdoais, porque tudo é vosso, Senhor, que amais a vida… Por isso castigais brandamente aqueles que caem e advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados, para que se afastem do mal e acreditem em Vós, Senhor”. (Sb 11 / 1ª L.).
Pode até, nos parecer muito difícil mudar a (des)orientação da nossa vida; aquela “reviravolta” que é preciso aplicar à direção errada no carreiro que estamos a trilhar. E continuamos sempre a adiar, para mais tarde, a decisão, apesar de acharmos que é muito conveniente essa “viragem” e que não deixamos de escutar, uma e outra vez, a “voz interior” que nos diz: «Amigo, Eu hoje precisava de ficar na tua casa!». Muitas pessoas estão a ouvir “esta voz” continuamente, e não só o Zaqueu do Evangelho, aquele que trepou a uma árvore para ver o Mestre de Nazaré. “Então, olhando Jesus para cima, disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria”. Claro que não faltaram os críticos de sempre a julgar a atitude de Jesus. “Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador»”. Ainda bem que, naquele momento, o que os outros dissessem ou julgassem, ao seu respeito, não lhe merecia o mais mínimo interesse; e assim, Zaqueu, continuou o seu compromisso de verdadeira conversão, prometendo a Jesus, diante de todos os presentes: “«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido»”. (Lc 19 / 3ª L.). E já agora: como se está a ver, o Evangelho refere esta ocorrência como um facto histórico; não é verdade?
Isto obriga-nos a pensar – se formos sinceros – que a nossa situação pessoal, ainda que fosse tão complicada como a de Zaqueu, nunca justificaria a nossa desistência de empreender a verdadeira conversão. É evidente que, se formos capazes – e sempre o seremos se quisermos – deveremos acudir ao Senhor através da Oração! É o conselho que nos dirige Paulo, indiretamente, quando comunica aos cristãos de Tessalónica: “Irmãos: Nós rezamos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé”. (2 Ts 1 / 2ª L.). Quer isto dizer que, se contarmos, assim, com a força e o poder de Deus – desde a nossa humilde verdade – nada será impossível para nós!
A Tua misericórdia, Senhor,
não é apenas para alguns privilegiados,
pois ela abrange e atinge a todos.
É verdade: Tu és clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Tu, Senhor, és bom para com todos,
e o Teu Amor misericordioso
estende-se a todas as criaturas…
Amparas sempre os que vacilam
e levantas todos os oprimidos…
Isto nos anima e encoraja para empreender,
sem qualquer temor ou hesitação,
a tarefa da nossa mudança e conversão,
o caminho que, de certo, conduz à Salvação…
Graças Te deem, Senhor, todas as criaturas,
e Te bendigam todos os Teus fiéis…
E nós com eles, pelo nosso “caminho de conversão”,
proclamaremos a glória do Teu Reino
e anunciaremos os Teus feitos gloriosos…
Porque Tu, ó Pai, és fiel à tua Palavra
e perfeito em todas as Tuas Obras!
[ do Salmo Responsorial / 144 (145) ]