PALAVRA DE AMOR, PALAVRA!
A Palavra semanal refletida ao ritmo dos Ciclos Litúrgicos com apresentações multimédia.
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19 Fevereiro, 2015

ANTES E DEPOIS DO… «TEMPO»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

9b- Antes e depois do... tempo.

9. B – Domingo.1.Quaresma – ANTES E DEPOIS DO… «TEMPO»

19 Fevereiro, 2015

ANTES E DEPOIS DO… «TEMPO»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

Desta vez, vamos refletir – e desculpem a expressão “teológica” – acerca do «Cristo meta-histórico», ou seja, tentaremos entender o facto de que, Cristo Jesus, por ser homem e Deus, transcende o Seu “tempo histórico” (antes/depois da Sua vida mortal) e o seu “marco geográfico” (dentro/fora do espaço em que viveu). Será que nós também participamos dessa Sua “transcendência”? A resposta é sim, e isto resulta evidente a partir do Seu Evangelho. Continuaremos a refletir nisto futuramente…

Comecemos, então, pela Palavra de hoje. E tenhamos em atenção que os “números” (quantidades) que aparecem na Bíblia têm um duplo significado: o da sua figura ou quantia representada e o do significado “simbólico”. Por exemplo, o significado do número 40 é de limitação e caducidade e, portanto, trata-se de um «número de prova ou experimentação», uma vez que a sua “duração” nunca será ilimitada. Na história bíblica, através deste número – em dias, em semanas ou em anos – indivíduos e comunidades foram testados e postos à prova… Lemos hoje no Evangelho: “Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens”…(Mc 1). Coisa semelhante aconteceu com vários profetas e personagens bíblicos (Moisés, Elias, Ezequiel, Jonas, David, Saúl…). E, sobretudo, a “prova terrível” do Povo de Deus, no seu conjunto, durante os «40 anos no deserto»… Estes são, portanto, os tempos de prova, que sempre serão limitados. O próprio Jesus vai ficar submetido e sujeito a este significado de caducidade e tentação (como “teste”). Mas, logo de ter sido superada a prova, o mesmo texto evangélico deixa bem claro: “Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o Reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho»”. (Mc 1/3ª L.). Ao dizer “cumpriu-se o tempo”, quer significar que, uma vez ultrapassado o espaço da prova, ficou para trás o que era tempo limitado, e agora, quer o Reino de Deus, quer o mesmo Jesus como centro e núcleo desse Reino, já são transcendência!

Isto da superação do tempo e do espaço, vemo-lo, igualmente, no relato do livro do Génesis (da 1ª leitura). Passados os “40 dias do dilúvio universal” (tempo limitado de prova e purificação) o “espaço temporal” é ultrapassado, e a “promessa divina” continua, porque é transcendente. Assim, lemos: “Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e nunca mais um dilúvio devastará a terra… Este é o sinal da aliança que estabeleço por todas as gerações futuras: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra… ” (Gn 9 / 1ª L.).

Por sua vez, o autor da 2ª leitura tem igualmente muito claro que a ação Salvadora de Jesus é «meta-histórica», que não fica apenas circunscrita aos seus “com-temporâneos” nem somente a todos os humanos que vierem depois d’Ele até aos fins dos tempos. Senão que – por se tratar de uma Redenção/Salvação transcendente, “meta-histórica” – atinge por igual a todos, isto é, os anteriores, os contemporâneos e os posteriores ao «Jesus histórico». Lemos, assim, neste texto da primeira carta de Pedro: “Cristo morreu uma só vez pelos pecados – o Justo pelos injustos – para vos conduzir a Deus. Foi por este Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam na prisão da morte e tinham sido outrora rebeldes, quando, nos dias de Noé…” (1 Pe 3 / 2ª L.). Onde se vê que a Redenção de Cristo (realizada no tempo: “morreu uma só vez pelos pecados”) tem também carácter retroativo (até os que “estavam na prisão… nos dias de Noé…”). A Salvação de Cristo Jesus é Universal, como não podia deixar de o ser!

E agora nós, quê!?… Pois que, ao iniciarmos esta “Quaresma” (40 dias, que reproduzem igualmente aquele significado bíblico), temos à nossa frente um novo período de prova, testagem, tentação… Trata-se, portanto, de um tempo ainda mais propício para – na nossa vida individual e coletiva – testarmos até que ponto somos capazes… E não teremos desculpas se não realizarmos essa autêntica conversão e purificação, uma vez que nós – isso sim! – somos privilegiados a respeito dos nossos irmãos antepassados “do tempo de Noé”, que, desde logo, não tiveram tantas oportunidades como nós, para a penitência… Não esqueçamos aquilo de: “A quem más se deu mais se pedirá”!

 

Antes de mais, temos bem presente, Senhor,

que as Tuas graças são eternas

e as Tuas misericórdias também;

porque Tu transcendes o tempo e o espaço,

embora, em Jesus e por Jesus,

quiseste entrar neste espaço e tempo,

que é o nosso tempo-espaço humano…

Assim, nós queremos entrar e caminhar

pelos Teus Caminhos, ó Pai nosso…

Por isso, ensina-nos as tuas veredas

e mostra-nos os Teus caminhos,

pois só Tu és o nosso Salvador transcendente…

E no caminho da nossa conversão e penitência,

ajuda-nos e guia-nos na Tua clemência,

por causa da tua bondade, Senhor…

E porque Tu és bom e reto,

e orientas os humildes na justiça,

dá-nos sempre a conhecer a Tua Aliança,

para aceitá-la e assumi-la na nossa vida…

         [ do Salmo Responsorial / 24 (25) ]

12 Fevereiro, 2015

«IMPURO! IMPURO!»

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29b- Papa Francisco abraça... Impuro, impuro!

12 Fevereiro, 2015

«IMPURO! IMPURO!»

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«IMPURO! IMPURO!»

Não é que os leprosos daquela época mais antiga, nem os do tempo de Jesus, tivessem de lançar este «grito» só por causa da sua enfermidade repugnante, a lepra, de que eram vítimas. Se fosse apenas por esta razão, até poderia ser compreensível e “desculpável”. Mas de facto, como vamos ver, o objeto e motivo desta imposição acabou por ser muito mais “fundo” e, desde logo, perfeitamente deturpado. O que lemos na primeira leitura, do livro do Levítico – o mais antigo “livro das leis” – é isto: “«…O leproso com a doença declarada usará vestuário andrajoso e o cabelo em desalinho, cobrirá o rosto até ao bigode e gritará: ‘Impuro, impuro!’. Todo o tempo que lhe durar a lepra, deve considerar-se impuro e, sendo impuro, deverá morar à parte, fora do acampamento»” (Lv 13 / 1ª L.). Reparemos que, nestas breves palavras do texto citado, aparece o termo “impuro” até quatro vezes. E sabemos que esta “impureza” foi depois considerada, indo mais além da própria doença física, como uma “impureza legal” ou, mais ainda, até como “impureza moral e religiosa”… Era equivalente a uma espécie de “excomunhão”, pois outro coisa não quer dizer aquela sentença conclusiva: “e deverá morar à parte, fora do acampamento (ou comunidade)”. É verdade que, no tempo de Moisés, a primeira finalidade deste preceito era evitar o contágio entre o povo, ou seja, promover a higiene e saúde; mas também é certo que, com o passar do tempo, a lei foi “degenerando”… até que, em tempo de Jesus, era isso mesmo, uma espécie de “hipocrisia”. De tal modo que, em vários outros lugares do Evangelho escrito por Marcos, Jesus ficará indignado contra os que defendem esta “deturpação da lei”, pois acusavam os seus discípulos de: “comer com mãos impuras, isto é, por lavar”; de “não obedecer a tradição e tomar alimento com as mãos impuras”… Jesus começa por esclarecer: “Não é o que entra no homem que o pode tornar impuro. O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro…”. E logo vem a denúncia direta e terrível: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim»”. (Mc 7). Na verdade, para Jesus de Nazaré, as coisas são entendidas e confrontadas inversamente: o que para “eles” é considerado “impuro”, coisas que vêm do exterior (alimentos, mãos por lavar, doenças diversas… tal como a “lepra”) para Jesus “não contam” quanto à impureza legal e demais. Para Jesus, porém, há uma outra “impureza” que suja e mata o homem, aquela que, precisamente, “não conta” para fariseus e companhia ilimitada… É exatamente esta, a impureza (a do “afastamento do coração” ou frieza do espírito) que há de ser combatida para não ter de escutar a Palavra do Senhor: “…Mas o seu coração está longe de mim”.

Quer isto dizer que (no Evangelho de hoje, cujo narrador é também o evangelista Marcos) a conduta de Jesus perante o leproso que vem pedir-Lhe a cura, vai ser totalmente diferente dessas posturas hipócritas ou farisaicas. “Veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo.”… (Mc 1 / 3ª L.). Aqui vemos, na verdade, que Jesus, ao limpar este homem da sua lepra – passando por cima da «lei do afastamento» pois até chega a tocá-lo – demonstra a todos que não existe qualquer outra impureza nesse homem, para além da própria lepra. E, desde logo, aquele homem ficou liberto, pela compaixão e vontade de Jesus, de toda aquela pesada carga legal que suportava.

Vale a pena perguntarmo-nos, como conclusão da nossa reflexão: Qual deverá ser, nesta questão, a nossa atitude perante aquilo que, na presente sociedade que nos envolve, é percebido como ‘puro’ ou ‘impuro’, ‘bom’ ou ‘mau’, ‘lícito’ ou ‘ilícito’… politicamente ‘correto’ ou ‘ incorreto’? Será que vamos seguir a corrente hipócrita dos “modernos fariseus” que continuam a apostar no exterior, na ‘imagem’, na ‘moda’… – “purezas legais” de todos os matizes! – ou será que deveremos apostar no exemplo de Cristo Jesus? S. Paulo, desde que conheceu Jesus, tomou o partido da Verdade e da transparência, e, em coerência, se atreve a exortar-nos: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo”. (1 Cor 10 / 2ª L.).

 

Tu, Senhor, que és o nosso refúgio,

dá-nos a alegria da Tua Salvação,

alegria e felicidade de quem foi perdoado,

o gozo de quem foi defendido dos perigos…

Eu quero ser, ó Pai, do número dos Teus fiéis,

em cujo espírito não entra o engano,

porque apostam na pureza genuína

e evitam o contágio das “purezas (i)legais”…

Quero ser do grupo da gente sincera,

que não escondem a sua culpa, ó Deus,

mas confessam, na verdade, o seu pecado,

e sentem logo o Teu perdão paternal.

Que eu saiba, Senhor, estar próximo

daqueles que sofrem doenças corporais

enquanto são puros e limpos de alma…

Mas ilumina, Senhor, todos os que vivem

– envolvidos por disfarces de aparências –

a pensar que são do partido “dos puros”…

«Que, à nossa volta, só haja hinos de vitória,

pois são os justos que vivem alegres no Senhor,

e só exultam de alegria os retos de coração!».

       [ do Salmo Responsorial / 31 (32) ]

6 Fevereiro, 2015

«É “MILÍCIA” A VIDA DO HOMEM…»

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28. B – Domingo 5 do Tempo comum -«É MILÍCIA A VIDA DO HOMEM…»

28b- É milícia a vida do homem

6 Fevereiro, 2015

«É MILÍCIA A VIDA DO HOMEM…»

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«É MILÍCIA A VIDA DO HOMEM…»

Sim, desta vez, vamos utilizar uma linguagem bélica. E falamos numa “milícia” que não é a das armas convencionais nem a das outras sofisticadas, com as quais os homens (“militares” ou não) fazem (fazemos) continuamente as guerras… Parece como que estivéssemos empenhados, através de toda a história humana, em “aniquilarmo-nos”, uns aos outros, fazendo troça (e triste realidade) daquele aviso de Jesus: “Quem usa espada, à espada morrerá” (Mt 26, 52). Ou, por outras palavras, talvez mais conhecidas, «violência gera violência» até originar isso que chamamos “a espiral da violência”, que já é tão difícil de parar!… Aliás, nisto das violências nas guerras, temos chegado, nos tempos que correm, a aberrações bélicas tão tristes e lamentáveis como o recrutamento de crianças para pegar em armas (“mercenários infantis para a guerra”), ou para as transformar em “pequenas bombas humanas” nessas estúpidas imolações terroristas… Meu Deus, quem será capaz de parar esta “espiral”?…

Mas a outra “milícia”, essa de que fala a Palavra de hoje no Livro de Job, é de distinto género; a violência que aqui subjaz está numa outra dimensão; aponta na direção e sentido daquela afirmação inesperada (desconcertante?) de Jesus: “O Reino do Céu é objeto de violência, e os violentos apoderam-se dele à força” (Mt, 11, 12). Ou então, aquela outra – tão perturbadora, porque é Jesus a falar em primeira pessoa –: “Não penseis que eu vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10, 34). Não se trata, portanto, da “violência material bruta”, mas da violência do espírito, aquela que, desde o nosso íntimo, fazemos a nós próprios – livre e voluntariamente! – para “dominar” os nossos baixos instintos e/ou nefastas tendências…

Pois é nesta dimensão, e não noutro sentido, que a “personagem” de Job – no meio dos trabalhos e sofrimentos de uma já longa vida – chega a esta “conclusão” em jeito de questão e desabafo: “Job tomou a palavra, dizendo: «Não vive o homem sobre a terra como um soldado? Não são os seus dias como os de um mercenário?”…(Jb 7 / 1ª L.). Trata-se, então, dessa afirmação que interpela: «É “MILÍCIA” A VIDA DO HOMEM SOBRE A TERRA». Nem falar, portanto, aquela «paz dos cemitérios», que Jesus não veio trazer. Não é aquela paz que deixa de fazer a guerra interior (evangélica) essa que, ao vencer o nosso egoísmo, nos transforma e cria fraternidade. Porque esta outra falsa paz – à que aderem muitos, infelizmente – só pode trazer e traz guerras fratricidas, que apenas e só alargam e multiplicam – isso mesmo – «os cemitérios» e a sua paz mortiça… Estes, sim, são os que acabam por fazer suas as palavras do poeta: «Somente acredito na paz dos sepulcros»!

Apostar, porém, na “milícia” de Deus, significa estarmos comprometidos na luta diária para conseguirmos vencer todos os “espíritos do mal”, verdadeiros e únicos inimigos da nossa vida e salvação. Ou seja, ficarmos alistados e incorporados no “exército” de Cristo Jesus, o único “capitão” capaz de vencer todos os «espíritos malignos»: “Jesus… expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era… E andava por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios”. (Mc 1 / 3ª L.).

“Lutar nas hostes” de Deus quer dizer, portanto, combater – no “bom combate” que diria S. Paulo – sobretudo contra aquelas nossas baixas paixões e más inclinações… mesmo que, por vezes, seja preciso perdermos alguma “batalha”, mas tendo sempre a certeza de que ganhamos a “guerra”!

Participar nas “batalhas” do Deus dos Exércitos – ao invés do que se entendia no AT – significa arriscarmos em “sair do nosso egocentrismo” para trabalharmos, de preferência, na salvação dos outros. Exatamente como fazia Paulo, quem desde há tanto tempo, já nos convidava a seguirmos o seu exemplo: “Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível… Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho…” (1 Cor 9 / 2ª L.).

 

Senhor, a Ti elevamos o nosso louvor

porque é bom cantar as Tuas fortalezas,

as Tuas grandes pequenezes, ó Pai,

a Tua omnipotência de ternura:

é agradável e justo celebrar a Tua Glória

– Deus pequeno, Deus imenso – …

Também nós, nas nossas lutas diárias,

não confiamos no vigor do cavalo

nem na força dos outros guerreiros…

mas confiamos na força do Teu Espírito,

na energia interior que dá vigor à alma,

para vencermos os inimigos da nossa salvação…

Sabemos que Te são agradáveis

os que confiam no Teu Amor, Senhor,

que preferes os humildes do povo

e estás sempre com os pobres

para os confortar e enriquecer…

Nós queremos ser congregados por Ti,

sempre que nos acharmos dispersos

pelo fragor das batalhas de cada dia…

Que, então, os Teus dedos de Pai bondoso

liguem as feridas de cada batalha

e sarem os corações dilacerados…

         [ do Salmo Responsorial / 146 (147) ]

1 Fevereiro, 2015

LUZ PARA AS NAÇÕES…

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60. ABC – Apresentação do Senhor..2-Fev. – LUZ PARA AS NAÇÕES…60b- Luz para as nações

1 Fevereiro, 2015

LUZ PARA AS NAÇÕES…

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LUZ PARA AS NAÇÕES…

“Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais… Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor… Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata…” (Ml 3 / 1ª L.). Sim, outra vez palavras misteriosas, palavras que desconcertam; palavras onde se contrapõe «o Anjo da Aliança por quem suspiramos» com «o fogo de fundidor… para fundir e purificar». É que o Deus-Amor, capaz de – humildemente – entrar no seu templo prontamente, trazendo um recado amoroso de Salvação… este Senhor do Universo, é tudo menos um boneco com o que se pode brincar impunemente! Quem estiver disposto a receber a Salvação que Ele traz e oferece, tem de o fazer com todas as consequências. Porque há de saber que as suas próprias obras e até às suas intenções terão de ser fundidas e purificadas, como se purifica o ouro e a prata. Aqui não valem enganos, meias-tintas, aparências… numa palavra: a mentira aqui não tem nada a fazer! Ou apostas na Verdade, meu amigo, ou estás perdido! E só o trigo bom, o trigo da Verdade, é alimento e semente de Vida Eterna; o joio e a palha – frutos e lixos da mentira – serão pasto das chamas, naquele fogo escaldante, abrasador…

A Salvação, porém, essa que leva em si um peso de Eternidade, não era possível sem um Redentor adequado e eficaz. Era conveniente e necessário que o Libertador, sem deixar de ser o Filho de Deus, nascendo de entre os humanos, saísse do meio dos homens, do seio desse “povo a redimir”. É que nenhum ser, só humano, poderia salvar “os filhos dos homens”… Mas também não era “possível” – segundo os desígnios de Deus! – que Ele, só pela sua Divindade, realizasse a Salvação daqueles pobres desgraçados… “Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos”… Sendo certo, portanto, que o Filho tinha tomado a mesma carne e o mesmo sangue, “participando da mesma natureza humana”, seria assim a pessoa idónea e designada “para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo”… Toda a gente percebe que só quem passou pelas mesmas misérias é que pode compreender os miseráveis. “Porque, de facto, se Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação”... Ficava então, e só deste modo, constituído o verdadeiro e eterno “sumo Sacerdote” – Mediador entre Deus e os homens –. “Semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo” (Hb 2 / 2ª L.).

Neste contexto, entendemos melhor o gesto que neste dia celebramos. Será este “o primeiro passo” dessa entrega total do Servo, homem entre os homens, “Filho do homem”, na sua Apresentação no templo; isto é, na sua «primeira Consagração ao Pai», submetido já às leis humanas. “Segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor»”. E é preciso realçar, desde este primeiro momento, a perfeita colaboração – “necessária e suficiente” – da Virgem Mãe, que antes oferecera a sua própria carne de mulher, e agora apresenta os seus braços maternais. Porque a história deve continuar, a história – lembram-se? – “daquele sonho feminino” de Deus! E neste episódio, ficamos todos a conhecer: Ela estava chamada, já desde as origens, a ser “Corredentora”, associada sempre ao Redentor. “Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações»”… (Lc 2 / 3ª L.).

Todo o mundo reconhece, Senhor,

que és o “Rei de todo o Universo”,

embora muitos não Te aceitam com amor

no acontecer das suas vidas…

Nós sabemos, Senhor, que és capaz,

apesar da tua imensa grandeza,

de Te fazeres pequeno e frágil

até caber nas estreitas dimensões

do sagrado ventre da mulher-mãe…

E, no entanto, devemos proclamar, ó Deus:

«Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

para poder entrar o Rei da glória!».

Louvamos-Te, hoje, Jesus, “Luz das nações”,

ainda bebé nesses braços maternais!…

E com o carinho da Tua e nossa Mãe, Maria,

– nos seus braços puros e amorosos –

aprendamos a crescer com vigor

em sabedoria e em graça, como Tu,

na presença de Deus e diante dos homens…

[ do Salmo Responsorial / 23 (24) ]

29 Janeiro, 2015

«SE HOJE ESCUTARDES… NÃO FECHEIS…»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

27b- se escutardes... não fecheis...

27. B – Domingo 4 do Tempo comum – «SE HOJE ESCUTARDES… NÃO FECHEIS…»

 

29 Janeiro, 2015

«SE HOJE ESCUTARDES… NÃO FECHEIS…»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

«SE HOJE ESCUTARDES… NÃO FECHEIS…»

Já sabemos – lembram-se? – que, desde muito antigo, «o Senhor Deus gosta, prefere… diríamos que “é o seu estilo”, comunicar-Se com os homens através de outros homens»… E na Palavra de hoje, vamos ter ocasião de refletirmos, até nos convencermos, acerca da importância de aprendermos a descobrir onde, e através de quem, nos está a falar «a voz do Senhor», para assumi-la e transmiti-la…

Primeiro, é Moisés que fala ao Povo: “«O Senhor, teu Deus, fará surgir no meio de ti, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deveis escutar»”… E não esqueçamos que Moisés é o primeiro e o mais antigo profeta (de todos os tempos)!… Pois já naquela altura, Deus deixou bem assente que… um outro “homem” – o verdadeiro Profeta do futuro – é que ia «falar a Sua Palavra». “O Senhor disse-me: Farei surgir para eles, do meio dos seus irmãos, um profeta como tu. Porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar. Se alguém não escutar as minhas palavras que esse profeta disser em meu nome, Eu próprio lhe pedirei contas…” (Dt 18 / 1ª L.). Claro que “esse profeta”, que há de “surgir de entre os irmãos”, é o Messias, Jesus de Nazaré, o único e autêntico Profeta. Mas não só. Pois sabemos que, por extensão, todos os “irmãos” (e discípulos) deste Profeta, ao longo de todos os tempos, vão falar também em Seu Nome. E, portanto, se ouvindo-os, não forem “escutados”, é “o próprio Deus que há de pedir contas” a quem fechou os ouvidos e/ou o coração!

Mas pode surgir esta “pergunta”: Porque é que Deus não quer fazer ouvir a Sua voz diretamente, em vez de o fazer por “mediadores” humanos?… Ainda nesta primeira leitura (do Deuteronómio) encontramos o motivo e fundamento. O próprio Moisés reconhece que foi o povo, reunido em assembleia, que decidiu pedir ao Senhor que lhes falasse através de “intermediários”, porque – pensavam eles – “se ouviam a voz do Senhor Deus… iam morrer”. Por isso, o próprio Senhor seu Deus, disse a Moisés: “Eles têm razão… e assim, farei surgir, para eles, alguém em que porei as minhas palavras… para falar em Meu nome…” (Dt 18).

Vejamos, então, o que diz o Evangelho de hoje acerca daquele primeiro “mediador” da Voz de Deus, o Profeta Jesus – Ele próprio “o Verbo”, “a Palavra” – homem perfeito sem deixar de ser Deus. O autor inspirado (neste caso o evangelista Marcos) antes de descrever a atividade de Jesus de Nazaré, começa por afirmar: “Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina…”. E a seguir acrescenta-se a razão desta “fascinação”: “Porque os ensinava com autoridade e não como os escribas”… (Mc 1 / 3ª L.). Certamente, toda aquela gente sentia, no seu íntimo, que este “homem” («o filho do homem») falava em nome de Outrem, mas ao mesmo tempo com essa “veracidade” (“autoridade”) que refletia a sua pessoa humana, e que eles não eram capazes de explicar…

E agora, o que é que nos diz a Palavra a nós, que nos situamos, desde Jesus de Nazaré, na sequência desses “mediadores da Voz”, como cristãos que somos? O que é que podemos refletir, deduzir e concluir, como “discípulos”, responsáveis pela transmissão fiel da Palavra de Deus?…

Porém, uma coisa é certa – na convicção de S. Paulo –: Todos, “sejam eles casados, solteiros, virgens…” todos têm (temos) os seus (nossos) votos ou compromissos para cumprir, segundo a nossa vocação e estado de vida… [2ª Leit.(1 Cor 7)]. É a “urgência” da Palavra!

Pois se pretendemos que Deus fale pela nossa boca, ou que a nossa voz seja o reflexo fiel da voz de Deus, deveremos aprender de todos aqueles profetas – e de estes de hoje! – que falaram e falam em nome de Deus, e tentar imitá-los. Em primeiro lugar, em como se deve escutar… para, a seguir, saber como se deve falar. Pois, “falsos profetas” sempre houve e sempre haverá… como também houve e haverá os que sabem escutar e viver a Palavra (a voz de Deus)… e, pelo contrário, os que “ao ouvirem a voz do Senhor, são capazes de fechar os seus corações…”, como nos avisa o Salmo Responsorial da 1ª leitura, [ Sl 94 (95) ].

 

Por isso nós, discípulos de Jesus,

sentimos no íntimo da nossa vida,

a urgência de transmitirmos fielmente

a Tua voz, ó Pai, que nos interpela…

Queremos ter abertos sempre

os ouvidos do corpo e da alma,

para escutarmos a Tua Palavra,

e nunca fecharmos os nossos corações

como outros, infelizmente, fazem;

ou como aqueles outros de Meriba

ou aqueles do dia de Massa no deserto;

ou como fecham os ouvidos e o espírito

tantos outros que, lamentavelmente,

pretendem ignorar a voz da Tua Palavra,

apesar de estar a ver, por toda a parte,

as maravilhas da Tua Criação…

Quem dera, Senhor nosso Deus,

que todos ouvissem a Tua voz,

para chegarmos a ser o Teu povo,

as ovelhas do Teu rebanho!

         [ do Salmo Responsorial / 94 (95) ]

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