PALAVRA DE AMOR, PALAVRA!
A Palavra semanal refletida ao ritmo dos Ciclos Litúrgicos com apresentações multimédia.
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23 Janeiro, 2015

CONVERTIDOS… E «CHAMADOS» …

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

26b- Convertidos... e Chamados...

26. B – Domingo 3 do Tempo comum – CONVERTIDOS… E «CHAMADOS» …

 

23 Janeiro, 2015

CONVERTIDOS… E «CHAMADOS» …

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

CONVERTIDOS… E «CHAMADOS» …

Nunca devíamos esquecer, quando escutamos ou lemos as Sagradas Escrituras – a Palavra – que, por terem sido escritas por homens e para homens, não podem deixar de utilizar, ainda que referida a Deus, uma linguagem antropológica…

A primeira leitura (constituída apenas por um fragmento do extenso relato do profeta Jonas) – para além de ser no seu todo um exemplo maravilhoso de narração curiosa e divertida, à mistura com sábia ironia e fina psicologia – é um claro exemplo do uso destas “linguagens antropológicas”… Fiquemos agora apenas com o texto que nos interessa, aliás, texto conclusivo da leitura: “…Quando Deus viu as obras daquela gente e como se convertiam do seu mau caminho, desistiu do castigo com que os ameaçara e não o executou”. (Jn 3 / 1ª L.). O que importa neste caso, quer para o autor, que escreve inspirado por Deus, quer para nós, que agora o lemos ou escutamos, oxalá também inspirados por Deus… o que nos importa, digo, é observar a conversão exemplar, radical e firme deste povo de Nínive e admirar, tanto ou mais, o imediato e generoso perdão de Deus, cuja infinita misericórdia estará sempre por cima da justiça humana e divina. Mas não deixemos de prestar atenção a essa linguagem antropológica que aplicamos (escritor e leitores) a Deus… quem, como tal, “nem consegue ameaçar… nem pode desistir”; isto sim que fazemos os humanos, real e verdadeiramente. Por isso, mais uma vez, saibamos ler e interpretar a Palavra de Deus, ultrapassando sempre a literalidade e superando a estrita linguagem humana (antropológica) para descobrir o verdadeiro sentido da «Escritura Sagrada» para nós e para todos, em cada etapa da nossa vida e em cada passo da nossa existência…

Então, começando nós por realizarmos essa conversão de que nos dão claro exemplo os ninivitas, e confiados cegamente na misericórdia de Deus que estará sempre connosco, continuemos o nosso caminho “vocacional” – lembram-se? – seguindo o modelo daqueles primeiros discípulos de Jesus; sim, as tais “vocações em cadeia” que agora continuam neste evangelho de hoje. E embora os irmãos, André e Simão (Pedro), já tinham tido um prévio chamamento, vemos que, no episódio de hoje, são chamados já “definitivamente”, junto com outros dois irmãos, João e Tiago, este aparecendo pela primeira vez, certamente “arrastado” (cá está a “cadeia”) pelo seu irmão João, que já tinha estado com Jesus pelo menos aquela tarde de “feliz memória”… E, por falar em irmãos, é curioso constatar – em palavras de um autor, amigo nosso, nestes mesmos dias – que esses primeiros discípulos são chamados como sendo irmãos, porque «Está à vista: o Reino de Deus é coisa de irmãos!…».

E já sabemos – creio eu – que «toda a opção exige uma renúncia»; ou seja, para optar por alguma coisa, pelo menos em assuntos de “capital importância”, há que renunciar a outras, pelo simples facto de serem incompatíveis! Desde logo, descobrir e seguir fielmente a própria “vocação” é uma opção fundamental. E como facilmente se observa nestes primeiros discípulos (depois apóstolos), eles hão de “renunciar” a coisas (os seus bens/“as redes…”) e “renunciar” a pessoas (a sua família/“seu pai…”). “Eles (Simão e André) deixaram logo as redes e seguiram Jesus… Por seu lado, Tiago e João “deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus”. (Mc 1 / 3ª L.). Todos eles, portanto, tiveram de “cortar laços” velhos para “criar laços” novos… É que os laços que cria este mundo são “passageiros”… porque o tempo de duração das coisas visíveis é finito e “breve”… É exatamente o aviso perentório e decisivo que nos deixa, por seu lado, S. Paulo: “O que tenho a dizer-vos, irmãos, é que o tempo é breve… De facto, o cenário deste mundo é passageiro”. (1 Cor 7 / 2ª L.).

E é curioso que – falando em Paulo – também ele, para afiançar a “sua conversão”, entrou “na corrente” destas vocações “em cadeia”. Ele próprio descreve-o na sua Carta aos Gálatas, onde diz “que subiu a Jerusalém, ter com os que eram naquela altura ‘as colunas’ da Igreja”… para certificar (!) a sua vocação e missão. Sabemos que, entre estas “colunas” estavam Pedro, João e Tiago… (Gl 1, 18 e 2, 9). Quer isto dizer que aquela “cadeia vocacional” teve continuidade no «apóstolo das gentes», Paulo (antes Saulo)… e, assim, em todos os outros discípulos… entre os quais devemos estar nós todos…

 

Mostra-me, Senhor, os Teus caminhos,

ensina-me as Tuas veredas,

para que eu encontre a Tua verdade:

essa verdade que é o Teu sonho, de Pai,

o plano de amor que Tu tens sobre mim…

Que eu saiba escutar o Teu “apelo”,

a “vocação pessoal” que me diriges, ó Deus,

para a minha realização e felicidade plena…

Confiado na Tua infinita misericórdia,

– e porque ensinas aos pecadores o caminho –

quero mudar o que está errado na minha vida,

esses passos que se desviam do Teu Amor,

e assim iniciar uma conversão radical e profunda…

Então, Senhor, seguirei com humildade a vocação,

aquele Teu plano de amor para mim,

porque Tu orientas sempre os humildes na justiça,

por causa da Tua bondade e fidelidade

e porque as Tuas graças e dons são eternos!

       [ do Salmo Responsorial / 24 (25) ]

15 Janeiro, 2015

VOCAÇÕES… «EM CADEIA»

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25b- Vocações... em cadeia

25. B – Domingo 2 do Tempo comum – VOCAÇÕES… «EM CADEIA»

15 Janeiro, 2015

VOCAÇÕES… «EM CADEIA»

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

 

VOCAÇÕES… «EM CADEIA»

Pode parecer normal confundir, por vezes, a voz de uma pessoa com a de outra. Porém, confundir uma voz humana com a voz de Deus, ou vice-versa, isso já não se afigura tão “normal”. A Palavra de hoje, certamente, quer dar-nos uma lição a partir dessa “confusão de vozes” (que não de línguas!). Mas para isso, é necessário, da nossa parte, tentarmos interpretar o relato do menino Samuel, que nos aparece na primeira Leitura. Esta criança (podemos imaginar, dos seus 8-10 anos?) morava numa das habitações do Templo de Jerusalém, onde se preparava para “uma missão futura”(!) sob a tutela do Sacerdote Heli. Durante a noite, enquanto o menino dormia, “o Senhor chamou Samuel, e ele respondeu: «Aqui estou». E, correndo para junto de Heli, disse: «Aqui estou, porque me chamaste». Mas Heli respondeu: «Eu não te chamei; torna a deitar-te»…”. É interessante observar que o próprio relato – após a segunda vez que “aquela voz” se deixa ouvir – tenta explicar ou justificar essa “confusão de vozes” com uma afirmação, ainda mais enigmática: “Samuel ainda não conhecia o Senhor, porque, até então, nunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor”. (1 Sm 3 / 1ª L.).

Desde logo, ao ouvir aquela voz, o rapazinho fica convencido de estar a escutar a voz do seu tutor e guia, o sacerdote Heli. E agora nós, poderíamos perguntar-nos: Se na verdade, era Deus que queria comunicar com o Samuel, porque é que Ele não escolheu um tom de voz diferente de todos os outros tons que o menino conhecia? O que é que Deus pretendia dizer-nos, a todos, ao escolher precisamente o timbre de voz da pessoa que acompanhava e orientava aquela criança? Qualquer um de nós pode dar uma primeira resposta válida ou satisfatória. Por exemplo: é compreensível que Deus quisesse dar uma certa “autoridade moral” àquela pessoa que é responsável e que dirige os destinos de outra… É possível. No entanto, se damos um passo mais e refletimos melhor, podemos intuir uma outra resposta mais geral e concluinte: o Senhor Deus gosta, prefere… diríamos que “é o seu estilo”, comunicar-Se com os homens através de outros homens, e nunca “diretamente”(?) embora pudesse fazê-lo!

Bom, mas para prosseguirmos a nossa reflexão da Palavra de hoje, na linha das respostas à «vocação de Deus para cada um de nós», concluamos este relato profético com a resposta exemplar do rapazito (futuro profeta Samuel) àquela voz de Deus que o chamava (!?): “«Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». E Samuel foi crescendo; e o Senhor estava com ele, e nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se” (1 Sm 3).

No Evangelho de hoje, como era de esperar, encontramos igualmente exemplos perfeitos de fidelidade ao seguimento da vocação. E o relato é precisamente da autoria de um dos protagonistas (o evangelista João); trata-se dos primeiros discípulos em seguir Jesus e a Sua Palavra. Descobrir e seguir a própria vocação – ou numa outra linguagem, “seguir a própria estrela” – não é simplesmente responder e caminhar ao sabor do vento… de gostos ou fantasias… de oportunidades ou ilusões… Mas é realmente saber escutar essa voz interior, que tem o tom e timbre das conhecidas como “causas segundas” (bem evidente no caso do Samuel); e é confiar sinceramente numa Pessoa que não pode falhar, deixando-se levar por um Amor que envolve, arrasta e transforma (tal como aconteceu àqueles primeiros seguidores de Jesus de Nazaré). Neste caso será João Batista (como antes fora o sacerdote Heli) o instrumento, “a voz”, a “causa segunda”, que Deus vai utilizar para comunicar – por caminhos diversos – a Sua “vocação de Amor” a cada homem e mulher… “Quando João Batista… vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus»… então, dois dos seus discípulos, ao ouvirem aquelas palavras, seguiram Jesus… e ao perguntar-Lhe: «Mestre, onde moras?», Ele responde: «Vinde Ver!»”. (Jo 1 / 3ª L.). E tanto lhe ficou gravada, a um deles (João), essa “vocação”, que até se lembra – a muitos anos de distância – da hora do dia em que aconteceu, e deixa-o assim registado: “Era por volta das quatro horas da tarde”… Mas, vejamos como o processo das “causas segundas em cadeia” continua; porque, logo a seguir, vai ser o colega de João – André – quem vai transmiti-lo imediatamente ao seu irmão Simão: “«Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’-; e levou-o a Jesus. Fitando os olhos nele, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’ ”. (Jo 1)… Maravilhosos episódios vocacionais e admiráveis exemplos de rapidez e de fidelidade no seguimento da vocação!

“Admiráveis”, sim, mas também “imitáveis”! Mas isto já depende de nós!

 

Nós viemos à vida, Senhor e Pai nosso,

apenas e só, pelo Teu infinito Amor…

Nós estamos neste mundo que passa,

para fazer a Tua Vontade, ó Deus!…

Por isso, cada um de nós deve clamar dia e noite:

«Aqui estou!». Cumpra-se em mim a Tua Palavra!.

Abriste-me os ouvidos para escutar a Tua “voz”

porque os sacrifícios e oblações não Te agradavam…

Então, Senhor, eu descobri esta verdade:

«De mim está escrito no livro da Lei

que faça a Tua vontade.

Assim o quero, ó meu Deus,

a Tua lei está no meu coração».

Eu confio em Ti, Senhor, e prometo

proclamar a Tua justiça e santidade,

pela minha vida e pela minha palavra:

Diante de todos os povos, Senhor,

anunciarei a Tua bondade e fidelidade!…

                      [ do Salmo Responsorial / 39 (40) ]

9 Janeiro, 2015

O ESPÍRITO «EM FORÇA»

Luis López Sem categoria 0 Comments

Ciclo B – Batismo do Senhor / domingo… ) 

O ESPÍRITO «EM FORÇA»

Por aproximação ao estilo humano – outra vez o sentido antropológico! – é “natural” associarmos as três grandes Forças/Dimensões do Universo criado, a cada uma das três Pessoas da Divina Trindade…

E nesta nossa caminhada litúrgica – sempre Nova e sempre antiga porque «re-Ciclada?» – acabamos de iniciar o novo Ciclo litúrgico (B) e já podemos observar o “protagonismo” sucessivo das três Divinas Pessoas da Trindade. No tempo do Advento (como resumo da Obra da Criação anterior) as antigas Profecias deram o protagonismo a Deus-Pai Criador. Nestes dias do Natal, foi a vez da Encarnação de Deus, na Pessoa do Deus-Filho, que inicia assim a Obra da Redenção-Salvação, que vem a ser como a Nova Criação ou «Re-Criação». E agora que este Filho Jesus se prepara para iniciar já a sua “Vida Pública” para o anúncio do Reino (o “seu Evangelho”), irrompe, entrando mesmo em força de Amor, a Ação da terceira Pessoa, o Deus-Espírito Santo, na sua Obra de Santificação e Divinização…

Na primeira leitura de hoje, do profeta Isaías (o chamado «segundo Isaías») aparece, com todo o vigor da energia divina, a ação misteriosa e poderosa do «espírito» sobre aquele «servo de Javé», que há de chegar num futuro de Salvação. “Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações… Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações…»”. (Is 42 / 1º L.). Será, então, a força e o vigor divinos deste Espírito que, ao repousar sobre ele (o futuro Messias Salvador), O transformará em “aliança do povo e luz das nações”, capaz de: levar a justiça aos povos; proclamar fielmente essa justiça até a estabelecer na terra; abrir os olhos aos cegos; tirar da prisão os que habitam nas trevas; etc.

O apóstolo Pedro, por sua vez – quinhentos anos volvidos daquela profecia de Isaías – pode constatar já a sua realização histórica, no tempo e na pessoa de Jesus de Nazaré; até porque Deus realiza sempre as suas promessas, e as profecias nunca deixam de ser cumpridas. Eis a parte central do discurso de Pedro, que hoje encontramos nos «Atos dos Apóstolos», da segunda Leitura: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele»” (At 10 / 2ª L.). Também aqui fica bem claro que a Missão Salvadora do Messias é realizada pela “unção de Jesus de Nazaré com a força do Espírito Santo”.

E nesta sequência, ao escutarmos hoje, no Evangelho, o relato que faz Marcos do Batismo de Jesus, entendemos perfeitamente as palavras introdutórias do próprio João Batista. Vejamos primeiro o relato de Marcos: “Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele”. Cá está, portanto, o protagonismo do Espírito, em figura de pomba. Mas o testemunho prévio que dá João Batista é este: “«Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo»…” (Mc 1 / 3ª L.). É evidente que só Quem está “ungido” (possuído) pela força do Espírito poderá batizar, não apenas na água mas também “no Espírito Santo” e no fogo… Aliás, logo há de vir, ao seu devido tempo, a plena efusão do Espírito…

Fica, então, concluída, mas aberta e lançada ao futuro, a Obra Maravilhosa da Criação “sonhada por Deus”. E é, portanto, normal e natural que, neste episódio evangélico do Batismo de Jesus, apareça a manifestação («epifania») integral e completa do Mistério da Santíssima Trindade: o Pai, na voz que se ouve vinda do Céu; o Filho, na pessoa de Jesus de Nazaré que está a ser batizado no rio Jordão; e o Espírito Santo que, em figura de pomba, é “infundido profusamente” naquele Homem-Deus, que é Jesus.

 

A Voz do Senhor, poderosa e majestosa,
é hoje para nós a Força do Espírito…
E queremos ser ungidos, como Jesus,
com essa energia e vigor que transforma,
para sermos capazes de levar luz às nações,
de transformar-nos em aliança de paz para todos…
Mas Tu, ó divino Espírito de Jesus,
infunde em nós o sopro e a bênção da Tua paz;
que sejamos fiéis às «promessas do Batismo»
e que espalhemos entre todos o amor fraterno
ao sentirmo-nos realmente filhos de Deus.
Espírito Santo de Amor e fogo,
enche os nossos vazios e alumia as zonas escuras…
E tal como a voz do Pai ressoou sobre as nuvens
e o Filho Jesus nos deu o Sacramento do Batismo,
Tu, ó Espírito Criador e Santificador, infunde,
em nossos corações, os dons que mais precisamos…
[ do Salmo Responsorial / 28 (29) ]

8 Janeiro, 2015

O ESPÍRITO «EM FORÇA»

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8. B – Batismo do Senhor – O ESPÍRITO «EM FORÇA»

8b- Espírito em força

 

6 Janeiro, 2015

TENHO EU A “MINHA ESTRELA”?

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

7. ABC – Epifania do Senhor – TENHO EU A «MINHA ESTRELA»4838513069_ba6b18750b (1)

6 Janeiro, 2015

TENHO EU A “MINHA ESTRELA”?

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

 

TENHO EU A “MINHA ESTRELA”?

Todas as “fantasias”, tal como as “histórias de ciência-ficção”, fábulas, parábolas, contos… têm – pelo menos! – um fundamento real (histórico). Existe sempre uma base ou alicerce verídico sobre o qual é construída – ou reconstruída – cada lenda, conto, narrativa ou fabulação. Aliás, estou convencido de que toda e cada “lenda” ou “ficção” é fruto e resultado de várias ou muitas realidades históricas, acontecidas em lugares e tempos diferentes, e sobrepostas sucessivamente… (segundo aquela filosofia popular de: «quem conta um conto acrescenta um ponto»).

Sabem aquela de «O quarto rei mago»?… O tal que se afastou dos outros “três colegas” para ajudar em toda e qualquer necessidade que foi encontrando pelo caminho?… E que, por este motivo, chegou a Jerusalém “trinta anos mais tarde”(!), quando Jesus acabava de morrer na cruz e já estava sepultado?… E sabem que, quando ele voltava triste e desiludido para a sua terra, o próprio Jesus – já Ressuscitado e Glorioso – lhe apareceu no caminho para lhe revelar a Verdade da sua Recompensa?… As palavras que o “quarto rei mago” escutou de Jesus – diz a “lenda” – foram estas, pouco mais ou menos: «Não estejas triste, meu caro amigo, por não teres podido contemplar e adorar o Menino Jesus!… Tu já o tinhas visto muitas vezes, nos rostos de tantas pessoas pobres e necessitadas que ajudaste em todos estes anos… Tu já Me tinhas visto tantas vezes! Não Me reconheces?… Pois em verdade, em verdade te digo: “Muito em breve estarás comigo no Paraíso”!».

E agora, continuamos com as perguntas: Será que não houve, no tempo histórico, muitas pessoas que, por ajudar os seus semelhantes, perderam os seus bens, o seu tempo, as suas oportunidades, os seus interesses imediatos?… Ou será que não existiram muitíssimas pessoas que foram capazes de seguir “a sua estrela”, na inspiração interior, até encontrar a meta dos seus sonhos, a sua realização pessoal?… Então teremos nós de concluir que a “história dos três reis magos” – para além de ter tido diversos fundamentos históricos e algumas “profecias” na Antiga Aliança – não deixa de estar bem pensada e construída. («Se não é verdadeira, vem mesmo a calhar!», diz uma máxima da sabedoria popular). Isaías tinha-o “profetizado”(?) vários séculos antes: “…Pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor” (Is 60 / 1ª L.). Ponhamos agora todos os presumíveis “acontecimentos reais” a que aludíamos anteriormente, e teremos uma história que, pelo facto de ser considerada globalmente como fantasia ou ficção, isso não quer dizer que careça de qualquer valor histórico e, menos ainda, de valor moral, espiritual ou teológico… Todo o contrário!

Mas a Palavra da Liturgia de hoje é ainda muito mais rica que todos esses “tesouros e riquezas das nações” que traziam os “reis magos”… Já o próprio nome da festividade Litúrgica – «EPIFANIA» – quer transmitir o que “significa”. Esta criança que nasceu de modo tão simples e pobre vem demonstrar assim, que a Salvação, o Amor de Deus, é para todos e não terá nenhum tipo de barreiras ou fronteiras. Quem é que disse então que a salvação era apenas para o povo eleito dos hebreus?… “Os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho” (escreve Paulo aos fiéis de Éfeso / 2ª L).

Este Jesus Menino, Salvador-Infante, manifesta-se (epifania) igualmente aos “gentios”, estrangeiros, que vivem afastados e estão representados nesses “reis magos” do Nascente remoto. (“Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O” / 3ª L.- Mt 2). O Amor de Deus Pai, a Sua Salvação, vem para todos, desde que cada quem – no uso da sua liberdade – ponha da sua parte o que exige este “caminho de Salvação” em que nos movemos…

Deveremos, antes de mais, encontrar a “nossa estrela”. Procurá-la se ainda não a descobrimos! E a nossa estrela não é outra coisa que “o sonho de Deus para cada um de nós”; aquilo que também chamamos “vocação” e que nos faz profundamente felizes, ao sentirmo-nos realizados e satisfeitos. É que se vivemos “sem estrela”, andamos desorientados e por caminhos que levam a nenhuma parte… E o que é que diriam hoje os nossos “reis magos” a tanta gente que vive (mal vive!) tristemente, sem a alegria do rosto nem o sorriso nos olhos, e a mercê de todos os ventos… com essa angústia íntima de quem não vê claro qualquer futuro de Esperança Feliz? O que é que nos querem dizer hoje “os magos”? Como é que devemos imitar o seu exemplo para encontrarmos a “estrela” e segui-la apesar das dificuldades, dos silêncios e das noites?…

Temos ao nosso dispor, e para a nossa meditação, a Palavra do Evangelho de hoje (Mt 2), que – lida, refletida e orada nas calmas – pode iluminar-nos e transmitir a força de vontade que precisamos… neste nosso “caminho de Salvação”. Pois, mãos à obra!

 

E agora, Senhor, sentimo-nos solidários

com todos os que, neste mundo nosso,

continuam desorientados e tristes

apesar da “epifania” do Teu Filho Jesus,

Luz verdadeira que ilumina tudo e todos!

Graças ao Teu Amor, Deus e Pai nosso,

já não estamos sem esperança de salvação.

Apareceu entre nós o Teu Filho,

que – na sua “manifestação” universal –

traz a paz, a justiça e o perdão…

para todos: pequenos e grandes,

os de perto e os de longe,

amigos e inimigos, maus e os bons,

pobres e ricos, justos e pecadores…

para o pobre e fraco que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Obrigado, Pai, Abbá, pelo Filho que nos dás;

porque a sua Estrela aponta já

o nosso presente e futuro de Felicidade.

Floresce já a justiça nos nossos dias

e a paz profunda e verdadeira

em todos os corações simples…

Queremos dar-Te infinitas graças, Senhor,

pelos “tesouros que hoje nos ofereces”

na Pessoa do Teu Amado Filho, Jesus.

E aceita o nosso melhor “Presente”,

que é também Jesus-Menino,

adorado pelos Magos no colo de Maria…

           [ do Salmo Responsorial / 71 (72) ]

30 Dezembro, 2014

O MISTÉRIO DE “THEOTOKOS”!

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

 

jusus_theotokos– A PALAVRA, Refletida ao ritmo Litúrgico – 

 (Ciclo ABC – Maria Mãe de DEUS – 1 de Janeiro… ) 

O MISTÉRIO DE “THEOTOKOS”!

Outra vez “o sonho de Deus”, aquele “sonho de cor feminina” – lembram-se? – : Seria uma virgem a gerar um filho, que fosse “Deus connosco” – Emanuel. Tudo isto já aconteceu! No entanto, uma vez que este filho, da espécie humana, é ao mesmo tempo o Filho de Deus, devemos concluir: aquela que gerou este filho por obra e graça do Espírito Santo, que era virgem e mãe, não pode deixar de ser a “theotokos”, ou seja, a Mãe de Deus. “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei…” (Gl 4 / 2ª L.). Claro que este menino, e só Ele, por ser o Filho de Deus, e Deus mesmo, é que podia redimir, salvar a Humanidade da sua rebeldia contra Deus, do tal pecado original. E desde logo, era normal que o seu Nome fosse Salvador, isto é, Jesus. “Ao completaram-se os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno” (Lc 2 / 3ª L.).

Muitos mais Nomes Excelsos tem este Filho, Jesus, Emanuel… Entre eles, o de “Príncipe da Paz”, que já aparece inúmeras vezes na Palavra do Antigo Testamento, nas promessas tantas vezes repetidas pelos profetas aos nossos antepassados na Fé. Por isso, a Bênção melhor que os homens podiam atrair sobre si, da Bondade de Deus, era essa Paz (“…que te abençoe o Senhor… e te conceda a Paz”/1ª L.). Com toda a razão foi dedicado este dia – que também é o 1º do Ano civil – para a “Jornada mundial da Paz”.

A palavra Paz, ou Shalom, tinha e tem, na cultura hebraica, como noutras culturas orientais, um significado mais abrangente e extenso que o nosso termo paz. Para eles – e porque não para nós? – esta expressão, como saudação e desejo, compreende ou inclui toda a classe de bens, materiais e espirituais… “Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: ‘O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’…” (Nm 6 / 1ª L.). Assim, como se todos os bens possíveis estivessem condensados na palavra Paz (“Shalom”), a Humanidade continua a suspirar sempre pela Paz, convencida de que só num ambiente de paz, entre gente pacífica e pacificadora, é que é possível a realização pessoal, familiar e social, e, por consequência, a satisfação plena e a Felicidade mais autêntica e profunda.

Não deve, porém, ser confundida esta Paz verdadeira, com apenas a ausência de guerra ou de conflitos violentos… Porque a paz que nos traz este “Príncipe da Paz”, este Deus Pacífico e Pacificador, significa, sobretudo, a Paz interior, quer dizer, todas essas coisas que a Palavra de hoje também nos recorda: salvação (“Jesus”), companhia e amizade divina (“Emanuel”), compaixão e perdão, solidariedade e partilha, alegria, felicidade,… e – principalmente, pois é o resumo de tudo – o sentirmo-nos filhos de Deus, porque “o somos de facto”. “Deus enviou o seu Filho… para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar Seus filhos… E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!»” (2ª L.).

E mais outra vez, cá está o Abbá (Pai-Mãe) que quer prolongar o “Seu sonho”… Agora, para demonstrar a todos que “Quem inventou e criou o ser de mãe (e de pai) não o poderia ter feito se Ele próprio, na Sua misteriosa essência Divina, não fosse também Mãe e Pai”. Faltava-Lhe ainda uma última “experiência” – mas será que vai ser a última? – : nascer Ele próprio de uma mãe humana, para essa mulher ser a “Mãe de Deus”. E talvez assim, possamos entender melhor este admirável Mistério, embora sem deixar de ser mistério incompreensível para a mente humana.

Seja como for, e por tal motivo, este dia da oitava de Natal, que também é 1º de Janeiro, é dedicado em toda a Igreja Universal, à Celebração de MARIA, MÃE DE DEUS!

 

Deus e Pai nosso (Abbá!),

agora estás a olhar para nós e nós para Ti

– porque fazes brilhar sobre nós a Tua face…

e voltas para nós os Teus olhos…de paz – .

Venha a Tua bênção sobre nós;

 e resplandeça sobre nós a luz do Teu rosto…

Porque assim, através de nós,

se conhecerão na terra os Teus caminhos

e entre os povos a Tua salvação.

Alegrem-se, ó Pai-Mãe, e exultem as nações,

porque julgas os povos com justiça

mas o Teu Amor é mais forte que tudo.

Os povos Te louvem, ó Deus,

todos os povos Te louvem.

Que sintamos em nós a Tua bênção…

e o Teu Amor encha toda a terra!

                [ do Salmo Responsorial / 66 (67) ]

30 Dezembro, 2014

O MISTÉRIO DE “THEOTOKOS”!

Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments

59. ABC – Maria, Mãe de Deus – O MISTÉRIO DE «THEOTOKOS»

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