(Ciclo B – Domingo 6 de PÁSCOA…)
AMOR, AMOR, AMOR!
Era uma vez um casal, novo e pobre, mas… rico em afeto e carinho, muito enamorado! E, para festejar o aniversário de casamento – cada um deles, por seu lado – imaginou a melhor prenda que iria oferecer ao seu par, apesar da sua pobreza económica. Bom, à Maria ocorreu-lhe vender a graciosa cabeleira preta que adornava a sua gentil cabeça (era costume naquele tempo vender o cabelo) para comprar uma linda caixa do melhor tabaco para o cachimbo do seu Manel, que andava com ele na boca, de um lado para o outro, sem mais nem menos, quer dizer, sem nada. Acontece que o Manel teve também a ideia de vender o seu cachimbo e comprar um estojo de pentes luxuosos para a sua esposa amada. E… no tal dia, após a troca de prendas, lá estavam os dois, abraçados e a rir às gargalhadas por tempo sem fim… A nós, também nos dá para rir, e para exclamar: «Ah, o amor, o amor!».
E porque será que o amor – simplesmente o amor! – é “aquela coisa” capaz de entusiasmar, extasiar, encorajar, excitar, incendiar, “enlouquecer”… capaz do possível e do impossível (sobretudo “do impossível”)? E porque será que toda a gente busca o amor e a felicidade ou a felicidade e o amor? Será que essas duas coisas são inseparáveis?… Todavia, a questão mais inquietante é que, pelos vistos, ainda ninguém foi capaz de “definir o que é o amor”! Ou, talvez, a chave do mistério esteja nesta sua in-definição!… É que também “Deus” não pode ser definido! Ou será que pode? Ora bom, mesmo que esses dois termos – Amor e Deus – pareçam impossíveis de definir, não será que têm alguma coisa a ver, entre si?
A resposta, mais uma vez, está na Palavra de hoje («Palavra de Amor, Palavra»). Sucede que, a única definição de Deus que aparece na Bíblia é esta: «DEUS É AMOR». E encontramo-la, precisamente, num “escrito de autoridade”, da autoria do chamado “discípulo amado”, na sua primeira Carta: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor…”. E este «Deus é amor», repetido ainda posteriormente, será o tema essencial de toda a sua Epístola. Sendo assim, o amor fica também definido automaticamente: «Amor é Deus». E a Carta continua: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados…” (E alguns versículos depois:) “Deus é amor, e quem vive no amor permanece em Deus e Deus permanece nele…”. (1 Jo 4 / 2ª L.). Quer isto dizer que a origem e o fim do Amor é Deus. Tudo tem, então, a sua explicação! E nada pode ser entendido, no campo de amor, fora de Deus que é a sua essência, a sua fonte e o seu destino final.
Não é fácil, porém, entre “tantos amores” deste mundo – lembram-se? – encontrar o amor autêntico, aquele que corresponde à “definição divina”. Contudo, não será assim tão difícil se quisermos entender, aceitar e assumir o “mandamento do amor”, o mandamento novo de Jesus – «amai-vos uns aos outros como Eu vos amo» – a única ordem ou norma que vale a pena, porque traz a felicidade.
Então, aceitemos e assumamos, com todas as consequências, a Palavra de Jesus no Evangelho de hoje: “«É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos… Já não vos chamo servos… chamo-vos amigos… O que vos mando é que vos ameis uns aos outros»”. (Jo 15 / 3ª L.). E é um amor que não deve conhecer fronteiras, como descrevem os Atos: “…Ficaram maravilhados, ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios (estrangeiros)…” (At 10 / 1ª L.).
Se conseguirmos que este Amor invada as nossas vidas, todas as barreiras que dividem as pessoas e os povos cairão por si só… É verdade: fora do Amor de Deus em Cristo, não há Vida nem Salvação nem Felicidade… Então sim, por Amor, chegaremos até dar a vida pelos outros, como Jesus… Porque só se amamos e quando amamos, somos Deus (!) já que “Deus é amor”.
Tu, Senhor, manifestas a salvação
a todos os povos do mundo,
porque o Amor que Tu és não pode ter limites.
Sabemos, porém, que não é fácil encontrar,
entre tantos amores que nos envolvem,
o amor que liberta e salva,
o amor que se entrega e se imola pelo outro,
o amor que transforma e “endeusa”
porque esse amor és Tu mesmo, ó Deus-Amor!
Apesar de parecer difícil descobri-lo e assumi-lo,
sabemos que a Tua mão e o Teu santo braço
dão-nos sempre a vitória sobre os falsos amores…
Acreditamos, Senhor, e estamos certos de que,
perante as nossas falhas no amor e na amizade,
Tu recordarás sempre a Tua bondade e fidelidade
em favor da Tua Família de filhos e filhas…
Mas uma coisa é certa, ó Pai nosso:
nós queremos apostar no Amor autêntico,
aquele que nos transforma em Ti,
e que é capaz de dar a vida pelos outros
aconteça o que acontecer na vida…
Por este Amor verdadeiro e fiel:
«até aos confins da terra
verão a salvação do nosso Deus!».
[ do Salmo Responsorial / Sl 97 (98) ]








![«A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] … «A ‘PAIXÃO DO JUSTO’» [Sl 22 (21)] …](https://palavradeamorpalavra.sallep.net/wp-content/uploads/2026/03/20.a.A-‘PAIXAO-DO-JUSTO-Sl-22-21.--1024x717-50x50.jpg)




15 Maio, 2015
«VOU, MAS FICO E… VOLTAREI!»
Luis López A Palavra REFLETIDA 0 Comments
(Ciclo B – Domingo 7 de P. – ASCENSÃO)
«VOU, MAS FICO E… VOLTAREI!»
Quem é que pode fazer semelhante afirmação, ou lançar um desfio deste género?… Aliás, o que se verifica, na realidade, é outra coisa. Bem claro o recolhe a “sabedoria popular”: «Ou nadar ou guardar a roupa» pois fazer essas duas coisas ao mesmo tempo é impossível. Ou então: «Ninguém pode tocar os sinos e andar na procissão», exatamente pela mesma razão e motivo…
Porém, para Jesus de Nazaré, até o que não parece, foi sempre possível (não em vão Ele tinha afirmado: “Nada é impossível para Deus”- Mt 19, 26), pois Ele é – em Si mesmo – o filho do Homem e o Filho de Deus.
Assim sendo, Jesus vai afirmando (em vários textos de outros evangelistas): “«Ouvistes que vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’»” (Jo 14, 28). E pouco antes de Se elevar para o Céu, declara-lhes: “E ficai a saber que Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20 / como diz a Antífona do Aleluia de hoje). Ou seja, vou-me embora, estou convosco e voltarei a vós. Não pode ser mais explícito e claro, embora, para aqueles discípulos, e quiçá para nós, bastante confuso.
Primeiro, diz que tem de ir embora, porque a Sua missão nesta vida terrena acabou. De facto, afirmam-no, na Palavra de hoje, quer o evangelista Marcos quer o autor dos Atos, Lucas. “O Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus” (Mc 16 / 3ª L.). “Eu narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu…” (At 1 / 1ª L.). Toda a missão, neste mundo, tem um início e um fim, para todos e cada um de nós, como o teve para Jesus.
Mas aquelas outras palavras que, como ficou dito, Ele tinha pronunciado (“Eu estou sempre convosco”) começam a cumprir-se desde agora. É o mesmo evangelho de Marcos que o confirma, a seguir à Ascensão: “Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles…” (Mc 16 / 3ª L.). É evidente, que toda a missão e apostolado dos Seus discípulos, em todo o tempo e lugar, só pode ser eficaz e salvadora se O Ressuscitado está n’eles. Se Ele faltasse, ou se nós cortássemos a união com Ele, (“como o sarmento da videira”) – lembram-se? – então nada seria possível!
E falta-nos a terceira parte do “mistério”: “Eu voltarei a vós”. Como é que vai voltar se já está connosco? Mas o Evangelho afirma-o de vários modos, por exemplo, quando, no episódio da Ascensão de Jesus, aqueles dois jovens vestidos de branco, aparecidos nas nuvens, dizem: “«Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu»” (At 1 / 1ª L.). Ou seja, “do mesmo modo que foi… virá”. Significa então que, entre uma “ida” passada e uma “volta” futura, está situado o espaço da nossa vida mortal. É preciso entendermos isto: tanto a «partida» como o «retorno» referem-se ao sensível, visível ou palpável. Enquanto a «permanência» connosco – no espaço e no tempo da nossa vida mortal transitória – é invisível, oculta ou velada, porque acontece a nível do espírito e não dos sentidos corporais.
E é precisamente aqui, nesta “presença real no íntimo do nosso ser”, onde devemos apostar todo o nosso esforço vital para realizarmos a nossa missão e compromisso. Pois é a este nível que se joga o Amor e a Felicidade – lembram-se? – para cada um de nós e para todos. Só assim compreendemos o sentido transcendente deste desejo e mandato de Cristo nesta Sua “despedida” da Ascensão: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo…” (Mc 16 / 3ª L.). «Evangelho» que é «a Boa Notícia» de Salvação para todos!
É bom convidarmos todos os povos
a bater palmas e aclamar-Te, Jesus,
com brados de alegria, com os hinos mais belos,
– como nos propõe e anima o Salmo –
porque o Teu triunfo é definitivo
sobre a morte e a favor da Vida:
Louvado e Amado por sempre. Aleluia!…
Mas também não podemos ficarmos
a “olhar apenas para o alto”,
como aqueles primeiros discípulos,
aguardando pela Tua “vinda” futura, não!
Convictos da Tua fiel permanência em nós,
a nossa tarefa, missão e compromisso,
– como, aliás, fizeram aqueles discípulos –
deverá consistir em entregar sempre
a nossa vida e as nossas energias
em favor de todos os irmãos,
sedentos e famintos de Salvação…
Obrigado, Jesus, por ficares connosco!
[ do Salmo Responsorial / Sl 46 (47) ]